‘Ladrão hoje encara roubar como ofício. Sai de manhã, vai praticar o roubo e volta para almoçar’

Chefe de investigações do Deic aponta mudança na estratégia dos bandidos, que evitam andar em duplas nas motos para driblar suspeitas, e recorrem a financiadores para assaltos; São Paulo vê escalada de crimes violentos

PUBLICIDADE

Foto do autor Ítalo Lo Re
Atualização:
Foto: Léo Souza/Estadão
Entrevista comClemente Calvo Castilhone Jrchefe da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio do Deic

Além de prender os ladrões, combater os roubos em São Paulo exige mapear a estrutura por trás dos crimes na rua. Uma das frentes está nas “redes de logística”, que emprestam armas de fogo, capacetes e até bags (mochilas) para os bandidos se disfarçarem de entregadores de aplicativo. Outra demanda é identificar os receptadores, focados em fazer transferências por aplicativos bancários ou dar destinação rápida aos celulares roubados.

As investigações apontam também para uma atuação crescente de assaltantes “de ofício”, que circulam a cidade de moto atrás das vítimas, no lugar do crime de oportunidade, em que o ladrão agia apenas se identificasse um potencial alvo distraído.

“Ele (o criminoso) encara essa atividade de roubar como um ofício. Ele sai de manhã, vai praticar roubo e volta para almoçar no meio da tarde”, diz o delegado Clemente Calvo Castilhone Junior, chefe da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil.

Publicidade

Delegado aponta mudanças de estratégias de gangues de moto

São Paulo tem visto uma escalada de crimes violentos nos últimos meses.

Em entrevista ao Estadão, ele aponta dois caminhos: o primeiro é tratar os roubos, principalmente os que evoluem para latrocínio, com olhar mais sistêmico. “A gente tenta saber a cadeia logística: quem vende essa arma, para onde vão os bens subtraídos”, afirma.

O segundo é dar resposta rápida e reunir um conjunto probatório robusto para a condenação dos responsáveis, sobretudo nos casos de latrocínio. “A população é diariamente exposta a imagens de violência, o que contribui significativamente para o aumento da sensação de insegurança. No entanto, é importante destacar que muitos dos autores desses crimes estão sendo identificados e presos graças ao trabalho investigativo”, diz.

Pesquisa recente da Quaest aponta que a violência é a principal preocupação dos brasileiros. No último ano, o número de roubos até caiu no Estado – menor patamar da série histórica. Mas especialistas apontam que, pela possibilidade de transferências pelo Pix, o prejuízo ao ter um aparelho roubado passou a ser maior do que antes.

Publicidade

Outro problema tem sido a escalada de crimes violentos, como a morte do ciclista Vitor Medrado, baleado perto do Parque do Povo, na zona oeste, ou do arquiteto Jefferson Dias, assassinado após intervir em um assalto no Butantã, também na zona oeste.

Arquiteto é baleado depois de intervir em assalto no Butantã

Jefferson Dias Aguiar atropelou um dos assaltantes, que se levantou e atirou contra a vítima.

A sensação de impunidade também piora o cenário. “Não é raro nos depararmos com indivíduos que já praticaram e respondem por 10, 15 ou até mais roubos, e ainda assim continuam em liberdade, voltando a cometer novos delitos”, afirma Castilhone Junior

“O caso do ciclista é um exemplo trágico. O autor do disparo que o vitimou cometeu o latrocínio pela manhã e, pouco tempo depois – apenas trocando o comparsa que pilotava a moto –, fez nova vítima, contra a qual também disparou sua arma”, continua.

Publicidade

Para ele, também é necessário reduzir as possibilidades de progressão de pena para crimes violentos. “A simples ideia de que podem voltar às ruas em pouco tempo, mesmo após tirarem uma vida, enfraquece o poder dissuasório da punição.”

Delegado defende investigações que consigam desvendar toda a cadeia do roubo, o que inclui receptadores e financiadores dos crimes Foto: Léo Souza/Estadão

O Deic prendeu os dois suspeitos por envolvimento direto no latrocínio de Medrado, além de uma possível financiadora da dupla, a “Mainha do Crime”. Segundo as investigações, ela fornecia apoio logístico para que diferentes grupos saíssem de Paraisópolis, na zona sul, para roubar em regiões próximas. As defesas do trio não foram localizadas.

Há mais de 30 anos na polícia, Castilhone Junior assumiu a divisão do Deic focada em combater crimes patrimoniais no começo do ano. A unidade comandada por compreende seis delegacias, inclusive a focada no esclarecimento de latrocínios, que subiram 23% na capital em 2024.

Publicidade

PUBLICIDADE

Veja abaixo os principais trechos da entrevista com o delegado:

Os latrocínios cresceram 23% na cidade em 2024. Nos primeiros meses deste ano ano, houve queda, mas os casos seguem chamando a atenção, como o do ciclista morto perto do Parque do Povo. As abordagens estão mais violentas?

Algumas das abordagens parecem realmente ter ficado mais violentas, até porque o evento morte se dá às vezes sem nenhuma provocação, como no caso do ciclista Vitor Medrado. A gente não vislumbrou reação ou algo que tenha sido interpretado como reação para que justificasse a execução. Há casos emblemáticos, tanto em relação ao tipo da abordagem quanto na violência empregada para subtração, seja de celular, motocicleta ou aliança. E a gente tem trabalhado fortemente nesses casos.

O latrocínio hoje é o principal foco? Quais medidas estão sendo adotadas para combater esse crime?

O Deic já tem a 1ª Delegacia do Patrimônio, especializada em repressão ao latrocínio. Tem atribuição concorrente com as unidades de polícia territorial, e exclusiva quando há indícios de (atuação de) organizações criminosas. Todas as delegacias do Patrimônio e do Deic estão com abordagem sistêmica. Antes do latrocínio, há o roubo. Antes do delito de roubo, há o porte de arma. A gente tenta saber a cadeia logística: quem vende a arma, para onde vão os bens subtraídos. As prisões recentes foram voltadas não só para o pós-crime, mas para todo esse ecossistema que leva à morte, que é o mais grave.

Publicidade

O Deic tem exclusividade em casos com indícios de atuação de organizações criminosas. É o modus operandi mais frequente em grupos que cometem assaltos violentos?

Algo que a gente tem feito com frequência é monitorar, fazer análise criminal, mapas de calor, comparação de modus operandi, análise de vínculos para ver as quadrilhas e como agem. Uma das coisas que a gente identificou é que, na maioria das quadrilhas, eles agora fazem os ataques com um indivíduo somente na moto. Dois indivíduos – condutor e passageiro – chamavam a atenção para a abordagem do policial. Vimos que isso era uma preocupação (dos bandidos) até entrevistando os indivíduos que foram presos aqui. Vão com quantitativo médio de 3 a 4 pessoas e, além disso, há outros indivíduos que dão suporte logístico, que às vezes emprestam vestimenta, bags (mochilas de entregadores), placas, armas... E tem a outra ponta: aqueles que vão receptar ouro, celular ou o que for subtraído. É importante esse olhar sistêmico, e o Deic tem adotado essa postura. Uma prisão desencadeia diversas outras. Eles também mesclam os coautores: o indivíduo A rouba com B, com C. Nessa análise de vínculo, a gente tem tido sucesso. Para cada latrocínio, há dois, cinco, às vezes dez roubos atribuídos àquele dupla e a outras duplas em combinação.

Em termos de autoria, do indivíduo que vai a campo cometer o crime, eles já vão em 2, 3, 4 indivíduos. Mudaram o modus operandi

Clemente Calvo Castilhone Junior, chefe da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic)

No ano passado, os roubos e furtos caíram na cidade, mas cresceram em algumas regiões, como Pinheiros e Perdizes. Quais regiões são os principais focos da polícia para combater assaltos violentos?

A gente reitera a importância de fazer o registro criminal, por menor que seja o valor da coisa subtraída, às vezes até uma bijuteria. Mas a gente precisa desse registro para ter os indicadores. Baseado nisso, são feitas tanto a estratégia preventiva especializada, ostensiva, por parte da Polícia Militar, e a nossa também. As investigações serão norteadas por essa análise. É fato que quando você puser determinado tempo de policiamento, os indivíduos migram para outra região.

E tem havido uma migração mais clara no momento? Os indicadores caíram no centro.

Os roubadores procuram regiões onde há pessoas de alto poder aquisitivo, modelos de celular mais caros. Até estudando o perfil dos receptadores a gente percebe um padrão, uma triagem de celulares. Os celulares de valor agregado muito maior, mais novos, de última geração, são destinados para outros países, onde não terão o Imei (código único do telefone) bloqueado. Os que têm valor um pouco menor são canibalizados, desmontados para a revenda de peças no mercado clandestino, outra ação que o Deic tem combatido com firmeza. Também encontramos recentemente um indivíduo de origem africana que tinha uma central telefônica especializada em fazer reset de celulares. No caso do aparelho que estaria bloqueado, inacessível para voltar ao mercado, ele tinha não só o equipamento, como o ‘know how’ para fazer desbloqueio forçado.

Uma preocupação nossa é não só prender, mas trazer um conjunto probatório robusto. Se levar um inquérito com conjunto probatório frágil para o Judiciário, esse indivíduo acaba não sendo condenado. A gente procura, além de achar o autor, corroborar com indícios. Em toda prisão aqui, antecedida ou não de mandado, buscamos oferecer provas objetivas depois da prisão. A maioria das prisões aqui tem resultado em condenação. É um indicador de que a gente está no caminho certo.

Como combater a reincidência na prática e evitar essa sensação de enxugar gelo?

A população é diariamente exposta a imagens de violência, o que contribui significativamente para o aumento da sensação de insegurança. No entanto, é importante destacar que muitos dos autores desses crimes estão sendo identificados e presos graças ao trabalho investigativo. O problema, porém, está além da prisão inicial. Infelizmente, não é raro nos depararmos com indivíduos que já praticaram e respondem por 10, 15 ou até mais roubos, e ainda assim continuam em liberdade, voltam a cometer novos delitos. O caso do ciclista é um exemplo trágico. O autor do disparo que o vitimou cometeu o latrocínio pela manhã e, pouco tempo depois – apenas trocando o comparsa que pilotava a moto –, fez nova vítima, contra a qual também disparou sua arma.

Situações como essa revelam a urgente necessidade de reformas na legislação penal. Dispositivos legais permitem que condenados por crimes gravíssimos, como latrocínio, usufruam de benefícios como progressão de regime, saídas temporárias e até livramentos condicionais, mesmo sem cumprimento integral da pena. Essa permissividade mina a eficácia da punição e compromete o papel do Estado na proteção da sociedade. É fundamental que os criminosos compreendam que o latrocínio é um dos crimes com penas mais severas previstas no Código Penal e que a responsabilização é real e efetiva. A simples ideia de que podem voltar às ruas em pouco tempo, mesmo após tirar uma vida, enfraquece o poder dissuasório da punição. Seria oportuno que houvesse alterações na legislação que restrinjam as flexibilizações, especialmente para crimes violentos e hediondos.

Publicidade

É essencial apresentar ao Judiciário conjunto probatório robusto, fruto de investigação técnica e bem conduzida. A Polícia Civil tem feito seu papel com extremo profissionalismo. Sabemos que nada trará de volta a vida da vítima de latrocínio, mas capturar o responsável traz alento à família enlutada e transmite à sociedade a mensagem de que o crime não compensa. Frequentemente, recebemos ligações de familiares expressando reconforto por verem que houve resposta do Estado. Além disso, é importante que os jovens, parcela significativa dos autores de roubos, compreendam a gravidade de seus atos e as consequências penais envolvidas. Ansiamos por urgente e necessária reforma legislativa que garanta o cumprimento integral da pena para condenados por crimes violentos, impedindo que sejam liberados precocemente por brechas legais que comprometem a segurança pública e a confiança da sociedade na Justiça.

Até pouco tempo atrás, elucidar um latrocínio significava simplesmente prender um autor. Pelo que o senhor diz, hoje há uma rede maior envolvida nesses crimes. Na prática, como o Deic está chegando nessas pessoas, como a ‘Mainha do Crime’, que muitas vezes financiam as quadrilhas?

Há uma série de recursos investigativos, desde as provas materiais objetivas até (análise de) dispositivos eletrônicos, celulares e provas testemunhais. No caso específico que você citou, essa pessoa era bastante articulada. Fizemos mandado de busca e apreensão, onde ela já estava identificada, e lá a gente encontrou farto material: placas, armas e toda a contabilidade, logística, todo esse material. Havia diversos elementos que convergiam para essa senhora como autora, mentora, partícipe e fomentadora de crimes patrimoniais cometidos por quadrilhas que partiam da comunidade de Paraisópolis. A gente tem convicção de que ela era peça importante e, a partir da prisão dela, a gente esclarece muita coisa com a apreensão e o estudo do material apreendido.

Tem outras ‘Mainhas do Crime’, ou seja, pessoas que agem como ela aqui na capital e que estão sendo investigadas pelo Deic?

Sim. Especificamente ali (em Paraisópolis, na zona sul) é uma comunidade em que tinha um grupo de roubadores muito atuante, com pelo menos sete ou oito grupos que cometiam crimes. Eles saíam de manhã para algumas áreas para cometer crimes e ali era o ponto focal dela, o ponto de encontro. Ela era a grande concentradora logística. É lógico que os receptadores estão dissipados pela cidade inteira, a gente tem muitos receptadores na área central da capital e que também foram objetos de ações nossas. Existem diversas redes, mas a dela era muito centralizada. Era uma figura central em relação à logística naquela comunidade, mas não a única.

Publicidade

A ‘Mainha’ era investigada por relação com o caso do ciclista Vitor Medrado, que recebeu muita atenção por ter sido alvejado sem esboçar reação. Os criminosos de moto têm tido postura mais “tudo ou nada”?

Esse incremento da violência nas abordagens, nas ações, a gente não acredita que seja orquestrado, mas realmente eles vão para o ‘tudo ou nada’. O indivíduo que sai com uma motocicleta, com arma de fogo na cintura e que aborda em via pública está disposto, preparado, esperando confronto, reação. O que a gente percebe é que ele não se detém com a vítima, não se preocupa muito com a violência. O que a gente quer demonstrar com essas prisões – que têm sido sistêmicas, todos os últimos casos estão sendo esclarecidos, os indivíduos estão sujeitos a penas pesadas – é exatamente o elemento dissuasório. Ele cometeu o crime, mas vai pagar severamente por ele.

Em relação às pessoas que estão sendo presas, por que elas dizem ter apertado o gatilho?

Alguns pontos comuns são a idade – relativamente jovens, alguns menores – e a reincidência – múltiplos reincidentes no roubo. O latrocínio é o último ponto, mas eles praticam diversos roubos. Um deles disse para nós, no caso recente do arquiteto, que quando a vítima abriu a porta do carro, ele pensou que era um policial. Por isso atirou e não pensou duas vezes. Na cabeça dele, é uma ação legítima, mecânica. Ele encara essa atividade de roubar como um ofício. Ele sai de manhã, vai praticar roubo, volta para almoçar no meio da tarde.

Houve alta da letalidade policial nos últimos anos, com episódios em que os agentes foram alvo de investigação. Até nas condutas de agentes de folga, houve casos, como do policial que atirou 11 vezes pelas costas de um ladrão que roubou sabão em pó. Essa alta de latrocínios tem ligação com esse cenário?

O policial com uma arma de fogo, se for abordado por um bandido e ele acha a arma, (o policial) será executado. O policial tem pouco tempo para ter essa decisão se vai reagir ou não. Talvez isso explique esse instinto de sobrevivência, que é um instinto de cumprimento do dever. O policial, quando vê um roubo, não consegue ficar indiferente. Mas a gente vê que, no dia a dia, no confronto, quando o indivíduo vai para o tudo ou nada, às vezes sob influência de drogas, o policial sofre grande risco, e realmente está numa posição em que tem de escolher.

Publicidade

A gente percebe que são jovens e que têm isso como meio de vida. Não dá para se dizer que essa modalidade criminosa é falta de opção. É uma opção deliberada de o criminoso partir para esse tipo de crime, para esse tipo de ataque contra a sociedade

Clemente Calvo Castilhone Junior, chefe da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic)

Houve duas mortes recentes de delegados e outros casos de transeuntes mortos de abordagens de roubo. No ano passado, quando houve o começo da alta de latrocínios, muitos casos eram relacionados a dinâmicas de roubos a moto, em que os assaltantes chegavam já tentando fazer com que os indivíduos parassem. A dinâmica tem mudado nesse ano?

Não diria que a dinâmica mudou nem que o roubador de motos de altas cilindradas migrou necessariamente. Tem grupos especializados, que se dedicam a roubar relógios de alto custo, motocicletas etc. Aí, mais uma vez, destaco o trabalho sistêmico do Deic, através da Divecar, que é uma delegacia especializada que investiga esses roubos de motos de altas cilindradas. Aquele que rouba a motocicleta vai usar basicamente para dois fins: para ostentar no fim de semana ao roubar essa moto, ou para desmonte. Ou às vezes os dois: faz uso, ostentação, pratica outros crimes e depois desmonta essa moto.

Em geral, os criminosos que cometem latrocínios são de grupos que agem de forma autônoma? Ou têm relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com organizações criminosas maiores?

A gente não identificou convergência direta, nenhum indício que levasse para a atividade faccionada. São grupos autônomos que têm em comum os receptadores e fornecedores de arma. Eles têm pontos em comum na cadeia de logística, mas a gente não tem diretamente indicativo que possa dizer que é uma atividade específica ou faccionada.

Chama a atenção que a quantidade de roubos caiu e a de latrocínio subiu. Tem se tornado mais fácil para os ladrões conseguirem arma de fogo para usar no lugar de um simulacro? Onde eles as obtêm?

Na verdade, o acesso às armas de fogo continua o mesmo. Apesar dos grandes esforços para tirar as armas de circulação, a gente percebe que há algumas vias de contrabando, que são grandes, e levam armas para as mãos desses criminosos. A gente percebe também que, em alguns casos, a mesma arma é usada para diversos crimes. A gente viu, por exemplo, muitos crimes que foram cometidos com revólveres calibre .38 nessa modalidade especificamente. Uma arma serve para esse indivíduo usar para cometer crimes de segunda a sexta, ou de segunda a segunda, ou para mais de uma quadrilha.

Publicidade

Sobre o caso da ‘Mainha do Crime’, o senhor citou que o grupo financiado por ela partiria de Paraisópolis para cometer crimes em regiões de alto poder aquisitivo por ali. Em relação aos receptadores, a concentração maior segue no centro, na Rua dos Guaianases, ou tem sido observada dinâmica mais distinta?

Os receptadores estão dissipados pela cidade inteira, o crime está capilarizado. Mas a gente percebe uma concentração na área central, até porque é uma área de comércio. De acessórios, de partes de celular. Tem uma lógica, os receptadores estão muito perto de onde essas mercadorias são vendidas. Fica até uma recomendação: quando a gente compra uma peça, uma tela, qualquer equipamento ou parte de celular em uma manutenção, e vê que está muito barata e que essa peça não tem procedência. É porque por trás disso tem um crime. Fica a recomendação para não fomentar o crime na outra ponta.

O que espera obter de resultados nos próximos meses?

Pelos resultados obtidos até agora, a gente entende que está no caminho certo. Óbvio que esse trabalho tem de ser ampliado, e é isso que a gente pretende fazer: combater de forma sistêmica. Apesar das prisões já efetuadas, a gente pretende deflagrar outras operações, que vão ser feitas com bastante estratégia e cirurgicamente planejadas para atingir essa cadeia, essa rede toda.