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Lugar de protesto vira festa

Sem-teto e filhos vão a casa de empresário

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Atualização:

Cerca de 50 crianças que moram em um terreno ocupado de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, ganharam ontem uma festa para comemorar seu dia com bolo, doces e refrigerantes em um lugar com visual muito diferente daquele a que estão acostumadas a ver. A comemoração já estava nos planos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), mas o local do evento foi a novidade.Acampados desde a quarta-feira na frente da residência de um empresário do ramo da construção civil no bairro do Butantã, zona oeste da cidade, na tentativa de pressionar o dono da casa - proprietário do terreno de 85 mil m² de Taboão - a negociar a venda da área para a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), os sem-teto resolveram comemorar o Dia das Crianças ali mesmo."Não conseguimos trazer todas as crianças", lamentou Edilene Ribeiro, coordenadora do setor de educação do movimento. O filho, de 10 anos, estava animado com a festa. "Aqui é bonito porque tem bastante árvore e bastante casa", observou.Sem negociação. O empresário, que prefere não ser identificado, estava no velório do sogro quando soube da festa diante de seu portão. "Minha mulher não pôde nem pegar roupas em casa", disse, indignado. Ele e a família estão fora de casa desde a quarta-feira, quando mais de 300 pessoas foram ao local protestar. Uma reunião com representantes da CEF, CDHU, prefeitura de Taboão da Serra e Ministério das Cidades está marcada para hoje, mas o construtor não está disposto a negociar. "O que estão fazendo é coisa de bandido. Não negociaria mesmo que me oferecessem uma soma milionária", afirmou. "O que ele está sentindo é o que vão sentir as 900 famílias que serão despejadas", comparou Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST.

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