A Polícia Civil de São Paulo prendeu em flagrante na tarde desta quinta-feira, 18, um grupo de 31 pessoas, com idades entre 18 e 51 anos, suspeitas de falsificar garrafas de cerveja em uma fábrica clandestina que funcionava no bairro Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o esquema envolvia a troca de rótulos e tampinhas de produtos mais baratos por estampas que copiavam marcas mais conhecidas, como Original, Skol e Brahma. Depois, as garrafas eram oferecidas a comerciantes por valores menores do que o usual.

De acordo com a secretaria, policiais foram acionados há cerca de um mês por vendedores do Bom Retiro, na região central da capital paulista, para inicialmente apurar uma suspeita de irregularidade de um caminhão que transportava as bebidas que teriam tido o rótulo adulterado.
Por conta do valor cobrado pelos transportadores, a hipótese levantado pelos comerciantes é que a carga pudesse ser roubada. Os agentes então passaram a monitorar um caminhão e nesta quinta seguiram o veículo até um galpão que, segundo informações preliminares, funcionava 24 horas por dia.
Ao chegar no local, a polícia afirma ter encontrado movimentação intensa de pessoas, com alguns homens lavando e fechando as garrafas de cerveja com uma prensa, o que motivou a entrada dos policiais. Com a presença dos agentes, alguns suspeitos teriam tentado fugir, mas foram abordados.
“A gente viu também uma movimentação grande caminhões, então muita cerveja adulterada provavelmente já saiu dali”, afirmou ao Estadão a delegada Maria Cecília Dias, titular do 2º Distrito Policial (Bom Retiro). Ao todo, três mulheres e 28 homens foram presos no local.
Conforme o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), após audiência de custódia realizada na tarde desta sexta-feira, 19, três dos homens suspeitos tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. Ao restante, foi concedida liberdade provisória.
‘Era uma verdadeira linha de produção’
Conforme a delegada, o grupo adquiria garrafas da marca Guitt’s Pilsen, por cerca de R$ 1,30 cada, e alterava o rótulo e a tampinha para que revender como se fossem de marcas mais caras, como Original, Antarctica, Brahma e Skol. “Era uma verdadeira linha de produção, eram bem organizados”, disse Maria Cecília.
Segundo ela, ainda não há informações sobre quem seriam os mandantes do esquema ou há quanto tempo as adulterações eram feitas, mas a ideia é se aprofundar com base nas provas obtidas na diligência realizada nesta quinta. O galpão ficava escondido em uma estrada de terra. “É uma região bem erma”, afirmou.

Durante a diligência desta quinta, a Polícia Civil apreendeu 683 caixas de cerveja, contendo 24 garrafas cheias cada. Durante a fiscalização no imóvel, além da adulteração dos rótulos de garrafas, foram localizadas prensa, cola e apetrechos para a colocação das tampas.
Os suspeitos foram encaminhados para o 2° Distrito Policial (Bom Retiro), onde o caso foi registrado como associação criminosa e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. A reportagem não conseguiu localizar o responsável pela defesa dos suspeitos.




