‘Primeiro foco vai ser contra o feminicídio’, diz novo secretário da Segurança de SP

Delegado Osvaldo Nico Gonçalves afirma que vai priorizar o combate aos crimes contra as mulheres, em alta sobretudo na cidade de São Paulo, e em manter redução nos roubos e furtos

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Foto do autor Ítalo Lo Re
Atualização:

'Polícia foi eficiente', diz novo secretário paulista sobre operação no Rio

Osvaldo Nico Gonçalves comenta ação policial ocorrida em outubro no Rio, que deixou mais de 120 mortes; delegado assumiu recentemente pasta da Segurança Pública. Crédito: Imanges: Beatriz de Souza Silva

Foto: Werther Santana/Estadão
Entrevista comOsvaldo Nico Gonçalvessecretário da Segurança Pública de São Paulo

O novo secretário da Segurança Pública de São Paulo, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, nega que as ações realizadas na Baixada Santista nos últimos anos tenham sido uma “operação vingança” em resposta às mortes de policiais na região. Segundo ele, as incursões foram, em vez disso, uma tentativa de restabelecer áreas em cidades como Santos e Guarujá, marcadas pela forte atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Nico, como é conhecido, minimiza ainda a alta nas mortes em decorrência de intervenção policial nos últimos anos, puxada por operações como a Escudo e a Verão, que somaram ao menos 84 óbitos. “Houve realmente confrontos que a gente não quer. Mas a polícia também não pode perder”, diz, em entrevista ao Estadão. “Prefiro que o policial saia vivo.”

São Paulo teve, no ano passado, a maior alta de mortes cometidas por policiais militares e civis entre todos os Estados, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 813 ocorrências envolvendo agentes em serviço e de folga. De janeiro até outubro deste ano, são 558 mortes, número 3,6% menor ante o mesmo período do ano passado, mas superior a todos os casos registrados em todo o ano de 2023.

Questionado sobre novas medidas – para além da adoção das câmeras corporais, já em vigor há alguns anos – para conter o indicador, o secretário afirma que o tema já é cercado por normas e procedimentos específicos. Diz ainda que, neste primeiro momento, quer focar no combate ao feminicídio, em alta sobretudo na cidade de São Paulo, e em manter a redução nos roubos e furtos, uma das bandeiras da gestão Guilherme Derrite.

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Entre as ações anunciadas pelo novo secretário da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) já neste primeiro primeiro momento, estão a ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) que funcionam em regime 24 horas – elas passariam de 18 para 78 – e a criação, ainda no primeiro semestre do ano que vem, de um departamento focado em crimes cibernéticos, medida que vinha sendo estudada por Derrite.

Durante a entrevista, Nico comenta sobre latrocínios de repercussão ocorridos neste ano na capital paulista e sobre a Operação Contenção, a mais letal da história do Rio de Janeiro, com mais de 120 mortes. “Não acho a operação violenta”, afirma. Os alvos eram integrantes do Comando Vermelho. Os principais deles não foram presos. “Violento foi o pessoal de lá, os bandidos de lá que atiraram na polícia, pensando que iam amedrontar a polícia. A polícia foi eficiente.”

Primeiro delegado a assumir a pasta, Nico diz que desde os 12 anos, quando trabalhava como engraxate no Ipiranga, zona sul da capital, queria ser policial. Após mais de quatro décadas de contribuição, assume a Secretaria da Segurança Pública aos 68 anos – antes, vinha trabalhando como nº 2 de Guilherme Derrite. Ele atendeu a reportagem em um prédio da PM em Rio Pequeno, zona oeste da capital, entre um compromisso e outro. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

Com extensa carreira na Polícia Civil, o senhor assume logo depois do capitão Guilherme Derrite, que fez trajetória na PM. Até por isso, havia a demanda de policiais civis por um alternância na SSP. Isso vai se refletir em algum tipo de “compensação” em relação às medidas adotadas na gestão Derrite? Qual vai ser o foco da sua gestão?

Não haverá compensação nenhuma. O primeiro foco vai ser contra o feminicídio. Estamos tomando algumas atitudes, conseguimos nosso aplicativo, o SP Mulher Segura (lançado no começo de 2024 pelo governo do Estado), e estamos “batendo” muito nisso. Temos até reunião marcada com mulheres da sociedade civil para nos ajudar. Vamos divulgar muito o combate ao feminicídio. A gente quer ter mais ações, porque é um crime muito difícil de ser combatido, porque ocorre dentro de casa. Até chegar ao policial, demora um pouco. Por esse aplicativo, a mulher pode fazer um boletim de ocorrência, comunicar algumas coisas... Se um vizinho está escutando grito do lado, começa a avisar a polícia. Começa aí (a violência contra a mulher), com um primeiro grito, um segundo. Ele (o agressor) não deixa a mulher falar com as amigas, “tosa” toda a rede de amizade dela, depois vem a asfixia financeira, onde corta o dinheiro dela, não pode ir no mercado. Depois vem a primeira agressão, a segunda, até chegar ao feminicídio. O que a gente está querendo é que, quem souber dessas etapas que ocorrem antes, avise a polícia, para nós podermos tomar alguma providência. Só por esse aplicativo, nós estamos “controlando” mais de 400 pessoas que estão “tornozeladas”. A gente compara, pela geolocalização dele (o agressor), se ele está chegando perto do endereço da vítima. Nesse caso, um botão é disparado e o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) manda uma viatura. Estamos trabalhando nesse sentido, sempre com prioridade à violência doméstica. Se a polícia ficar sabendo, tem como a gente tentar fazer alguma coisa antes que ocorra. O crime está dentro de casa, está difícil você combater.

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Um ponto considerado sensível é a alta na letalidade policial nos últimos anos, puxada por operações na Baixada Santista (pelo menos uma dezena de policiais tornaram-se réus por mortes relacionadas às duas incursões). A secretaria errou na orientação de suas tropas?

Nenhum policial quer o confronto. Isso posso garantir, estou na polícia há 45 anos, trabalhei na rua todo esse tempo. Ninguém quer o confronto, ninguém quer um processo, mas que a pessoa se entregue. Na Operação Escudo, na Baixada Santista, vou citar um caso: o do “Danone” (Rodrigo Pires dos Santos, morto no começo de 2024), que tinha três mandados em aberto de prisão. Ele recebeu os policiais que chegaram, de cima da laje dele, com um fuzil, atirando nos policiais. O pessoal revidou e ele foi morto, porque atirou no policial. Prefiro que o policial saia vivo. Se for para escolher alguém, escolho o lado da polícia. Além de ter atirado, ele tinha oito sequestros pelos quais estava sendo investigado, três mandados em aberto. Não era um suspeito, ele estava lá. Aí aparecem parentes dizendo que a polícia o queimou com cigarro, não teve nada disso. Não teve essa operação que o pessoal acha que foi por causa da morte do soldado Patrick (Bastos Reis, morto em julho de 2023), que foi uma “operação vingança”. Não foi. Nós fomos lá restabelecer o território perdido por outros governos passados que não agiram. Se teve algum excesso, está sendo julgado. Até agora não houve uma condenação, não teve nada. Vai procurar saber com os moradores do Guarujá se eles gostaram da operação. Não foi assim um aumento da letalidade, houve realmente confrontos que a gente não quer (que ocorram). Mas a polícia também não pode perder.

Mas haverá alguma medida específica para frear esse aumento da letalidade?

Tem os regulamentos da Polícia Militar, da Polícia Civil. Há normas e procedimentos (como o uso de câmeras corporais). Mas a polícia não está (nessas operações) para tomar tiro.

O período recente foi marcado também pelas mortes do delegado Ruy Ferraz Fontes, em Praia Grande, e do delator Vinicius Gritzbach, em Guarulhos, casos que demonstram o poderio bélico do crime organizado. Em paralelo a isso, houve no Rio a operação mais sangrenta da história do Estado (com mais de 120 mortes). Na avaliação do senhor, esse tipo de ação é efetiva para conter o avanço de facções ou o plano é combater o crime organizado de outras formas?

No caso do Vinicius (Gritzbach), o Derrite falou para mim: ‘para o que você está fazendo, vamos criar uma força-tarefa para descobrir quem foram os mandantes’. E chegamos à autoria. Nesta semana, teve julgamento dos policiais militares também (11 foram condenados pela Justiça Militar por fazer escolta ilegal). As polícias Civil e Militar cortaram na carne, mas foi esclarecido. Faltam três para prender: o Kauê (Amaral, apontado como olheiro), o “Cigarreira” (Emilio Castilho, apontado como mandante) e o “Didi” (Diego Amaral, também apontado como mandante), que estavam lá no Rio de Janeiro, naquele morro onde aconteceu a operação (nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte). Estavam hospedados lá. Nós chegamos no dia 24 (de dezembro) do ano passado, véspera de Natal do ano passado, levantamos drone no Rio de Janeiro e eles estavam na piscina. Só que a polícia lá também não podia nos ajudar, porque tinha três barreiras antes e, se a polícia invadisse, ia morrer inocente. Então, esperamos. O que aconteceu no Rio, falei para o diretor do Bope (Batalhão de Operações Policiais), foi um trabalho e estudo de muito tempo. Quem morreu lá, a pessoa morreu com fuzil na mão. Nós tivemos cinco policiais mortos, temos policiais internados no hospital ainda. Garanto também que aqueles policiais não queriam confronto, mas veja quantos fuzis foram apreendidos lá (cerca de 100). Gente que atirou, eles não estavam na biblioteca, não estavam na igreja, estavam na mata atirando nos policiais. O policial precisa se defender. Não acho a operação violenta. Violento foi o pessoal de lá, os bandidos de lá que atiraram na polícia, pensando que iam amedrontar a polícia. A polícia foi eficiente.

O tipo de atuação do Comando Vermelho difere um pouco do PCC, que não foca tanto em controle territorial (autoridades cariocas afirmam que o foco da Operação Contenção foi a retomada territorial). Ainda assim, o senhor vê operações dos moldes que houve lá aqui em São Paulo?

Com esse número de mortos, só no Rio de Janeiro. Para falar do Vinicius, nós conseguimos esclarecer o caso. Do Ruy também. No caso dele, estamos com vários presos, os outros “atornozelados” e estamos chegando à autoria. Já sabemos quem são os mandantes. É o pessoal do crime organizado, da Sintonia Restrita (alto escalão do PCC). O Ruy morreu pela atuação no combate ao crime organizado. Na década de 2000 eu estava junto com o Ruy, ele morreu por causa disso (a atuação dele). Ele estava jurado (de morte) desde aquela época, junto com o (Roberto) Medina, com o Lincoln Gakiya, estava jurado de morte. Agora a gente vai procurar esclarecer também se tem algum vínculo com o cargo dele na prefeitura (de Praia Grande) como secretário ou se foi só pela atuação contra o crime organizado. Tem um inquérito sobre isso e, logo logo, com a prisão agora do “Fiel” (Marcos Augusto Rodrigues Cardoso), o último que foi preso, nós vamos esclarecer isso aí.

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Na gestão do senhor, o cidadão vai poder sair de forma mais segura com o celular na rua?

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É o que nós estamos tentando. Nós conseguimos a diminuição de todos os indicativos (relacionados a crimes patrimoniais): de roubos, furtos. Tem umas leis mais severas que seguram o pessoal preso. A gente está pegando, às vezes, a mesma pessoa 20 vezes ao ano, 15 vezes. Com (casos relacionados a) pequenos furtos de celular, correntinha, aliança. As pessoas saem rápido da cadeia, às vezes até na audiência de custódia. Se a pessoa que furtasse o celular soubesse que ia ficar um ano presa, não furtava de novo. Tem eventos que a gente pega pessoas com 15 celulares furtados. No próximo sábado, está em um show de novo. A gente precisa de leis que ajudem a polícia a segurar esse pessoal na cadeia. Para nós conseguirmos transmitir mais sensação de segurança. Nós não conseguimos baixar a sensação de insegurança para acompanhar (a melhora nos) indicativos que nós temos. Em outras palavras: os indicativos estão baixando, mas a gente não consegue baixar também a sensação de insegurança.

Por quais motivos, além da reincidência, que o senhor já citou?

Quando acontece um fato desagradável, em que alguém tem o celular furtado, viraliza muito nas redes sociais. Então parece que está tudo “perdido”, mas não está, nós estamos trabalhando. A polícia, nessa gestão (Tarcísio de Freitas), mandou 573 mil pessoas para a cadeia. Apreendemos 656 toneladas de droga. Isso significa um baque no crime. Conseguimos chegar a 37 mil armas apreendidas. No projeto Recupera, são R$ 83 milhões bloqueados. Já recuperamos, para os cofres públicos, R$ 22 milhões. Isso vai ajudar a comprar arma, munição, coleta para os policiais.

Houve uma série de latrocínios de repercussão neste ano, como o ocorrido no Parque do Povo (em que o ciclista Vitor Medrado foi morto em fevereiro). Como esses casos mais violentos, de certa forma, também contribuem com essa sensação? E como combatê-los?

Quando vi aquilo, o caso do Vitor Medrado, fiquei muito triste. Mas prendemos, conseguimos prender (os envolvidos), a polícia deu a resposta. Foi pouco noticiado que prendeu. Foi noticiado, mas não no volume que foi com a morte dele. Todo mundo fica chocado, a gente fica muito chocado. A gente está fazendo várias ações contra a violência doméstica. Aí vem aquele aquele rapaz que atropelou a moça (em caso recente que a vítima teve de amputar as pernas após ser arrastada pela Marginal Tietê), isso viralizou no mundo inteiro. Apesar dos nossos esforços, a gente não consegue baixar a sensação (de insegurança). Mas a gente vai lutar para isso.

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Houve quedas de roubos e furtos na gestão Derrite, mas em algumas regiões, mesmo em áreas centrais, os indicadores estão tendo altas.

Vai andar no centro. Você tem andado no centro? Essa gestão mudou a cara do centro. Desde que nós fizemos a intervenção na Favela do Moinho, nós fechamos aqueles hotéis, mais de 80 hotéis, que só serviam para o tráfico e para guardar coisas roubadas. Nós atacamos os ferro-velhos do centro, principalmente os traficantes que viviam por lá. Coisas que há décadas não aconteciam. Vai andar na Praça da Sé, ver as obras ali naquela região da Bela Vista. Quando saio da secretaria à noite e vejo um grupo de alunos andando, fico tão feliz com isso. Ainda falo: fica um PM aí do lado, para ajudar. Fico tão feliz de ver o pessoal caminhando, voltando para o centro da cidade. Tem um projeto para mudar todas as secretarias para o centro. Aquela área da Cracolândia vai ser uma praça. Se mudar todas as secretarias, vai ser importante. É um projeto do Tarcísio que é um projeto para quatro anos, não sei se ele vai estar aqui. Mas é um projeto que vai revigorar o centro de São Paulo e vai ser legal.

Hoje, ter o celular furtado ou roubado se reverte em outros tipos de crimes: golpes variados, desvios etc. Uma crítica é que não se tem um efetivo focado em crimes cibernéticos ou outras modalidades, o que acompanharia essa tendência. O senhor pretende aumentar equipes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), por exemplo, focadas em casos desse tipo?

Nós estamos tentando fazer um departamento de crimes cibernéticos.

Isso então vai sair do papel?

Vai. Estamos tentando tirar do papel para fazer um departamento. Nesta semana fizemos uma ação em que eu fiquei chocado. Nós fomos no aquário, no Ipiranga, fui com minha família, e chegou uma família para entrar no aquário, com criança e tudo. Aí descobriram que tinham comprado (ingresso) em um site falso. O pai às vezes não tinha condição de comprar outro ingresso. Ele chegou com a família e foi brecado. Eu falei: ‘pô, vamos tentar deixar entrar’. Acabaram deixando entrar, porque foi num prestígio pessoal meu que entrou. Mas nós começamos a trabalhar nisso. Era um site falso que fazia ingresso para o zoológico e para o aquário, lá no Ipiranga. Nós conseguimos trabalhar e “chegamos” lá na Bahia. Conseguimos prender o autor do aplicativo que compra ingresso e trouxemos para São Paulo. O pessoal estava ficando rico lá de tanta gente que comprava ingresso falso. Foi um trabalho muito grande da polícia, com envolvimento da delegacia de crimes cibernéticos.

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A criação desse departamento deve ser concluída ainda no primeiro semestre? Porque Derrite já vinha falando há um tempo dessa frente focada em crimes cibernéticos.

Vai sair, é nossa meta. Vamos criar um departamento novo. Desvincular do Deic e fazer um Departamento de Crimes Cibernéticos, que é a moda. Vamos formar policiais do zero. Para janeiro, nós também vamos inaugurar mais 60 DDMs 24 horas, vamos entregar 1,1 mil viaturas, temos um projeto grande para janeiro.

Hoje são 18 DDMs 24 horas, então a ideia é expandir com mais 60 (com 78 no total)?

Sim. São 170 Delegacias de Defesa da Mulher, mas só 18 funcionando 24 horas. Vamos tentar ampliar tudo que nós estamos fazendo, trazendo a sociedade civil, agora temos um encontro com algumas mulheres, para nos ajudar a fazer campanhas nisso aí.

No caso da violência contra mulher, muitos crimes partem do ambiente digital. E a secretaria tem hoje o Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), comandado pela delegada Lisandrea Salvariego, que foca inclusive em dinâmicas envolvendo crianças e adolescentes nas redes. A ideia é ampliar esse tipo de atuação? É uma questão que, de certa forma, a polícia demorou a entrar, não?

Não é que demorou, é tudo difícil. Tem leis de outros países que você não pode interferir para conseguir derrubar, é muito questionamento até derrubar um site. Às vezes você derruba um e aparece outro. É um trabalho muito específico, em que a pessoa tem que ter um conhecimento técnico muito grande. O trabalho que dá para derrubar um site... Você não consegue derrubar. Às vezes o nosso pessoal entra também na “gincana” deles e tenta avisar, tenta derrubar e não consegue. Por falta de cooperação, é difícil às vezes você conseguir derrubar.

O senhor vinha sendo o braço direito do Derrite, mas ao mesmo tempo com um perfil um tanto distinto. Até por ter feito a carreira na Polícia Civil e participado de casos de repercussão, a começar pelo caso (Leandro) Desabato (jogador argentino preso em flagrante em 2005 por ele dentro do Morumbi após ofensa racista). E muitas vezes um perfil mais “midiático” é atribuído ao senhor. Como recebe isso e como quer ser reconhecido ao fim da gestão?

Com 12 anos de idade, eu sabia que queria ser policial. Ficava lá no Ipiranga engraxando sapato dos policiais, fiz concurso, entrei na polícia, fui trabalhar no 17º (Distrito Policial, do Ipiranga). Eu sabia que queria ser policial desde pequeno para servir. Não queria ser médico, juiz, advogado, promotor. Queria ser policial. Deus já fez para mim mais do que eu merecia: não esperava chegar na posição de delegado-geral e, hoje, de secretário. Não sei se eu sou o perfil (desses cargos), mas eu sou um perfil operacional, que gosta de estar na rua trabalhando com os policiais, no chão de fábrica. Tenho essa característica. Se você entrar no meu Instagram, vai ver que eu tenho operações com a Polícia Militar desde 2000. Tenho um relacionamento muito grande com a PM. É a primeira vez que um delegado consegue ser secretário de segurança. Não tenho uma didática boa, um português bom, mas é porque eu sou da rua. Mas eu sou apaixonado no que faço, tento acertar, levanto todo dia cedo, junto com o (José Augusto) Coutinho (comandante-geral da PM), com o Artur (Dian, delegado-geral), tento entrar nos casos. E outra: quando tem um caso de repercussão, mas não só esses, até os que a gente devolve um celular para a pessoa que pagou em 200 vezes, eu me emociono com isso. E tenho a vontade de acertar. Não sei se vou conseguir, mas nós estamos desencadeando várias informações, para tentar atingir os números que o Derrite conseguiu. Ele conseguiu alguns dos melhores indicadores da história. Então vamos tentar até superar o Derrite, porque ele vai ficar contente. Ele conseguiu números expressivos. Queria agradecer o governador Tarcísio por deixar a polícia ser comandada por policiais. É um governador de coragem. Sei como é o policial que volta para casa ferido, o desgaste da família. O policial não caiu de para-quedas, ele vem da sociedade. Tento trazer para os policiais de baixo o apoio da secretaria, é isso que vou continuar fazendo. Sempre me dei bem com o pessoal que trabalha na linha de frente.

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Secretário, o senhor é de uma família ligada também a negócios, incluindo pizzarias. Com sua nova ocupação, isso vai ficar mais de lado?

A minha mulher tem uma pizzaria no bairro do Ipiranga há 45 anos. A pizza é boa. Mas faz tempo que eu não vou lá, minha mulher e meus filhos não me deixam ir. Eu vejo as pessoas e não cobro a conta, só sobra prejuízo. Agora eu tenho até que pegar a pizza e levar para casa para comer, porque meus filhos me expulsam de lá. Nós fundamos quando eu entrei na polícia. Eu gostava de cozinha, gosto de cozinhar. Fiz a pizza da massa fina e está lá até hoje. A receita é nossa, aprendi com o Faustão, quando ele era repórter esportivo.