‘Se não é narcoestado, estamos a poucos passos’, diz juiz que prendeu delegada por elo com o PCC

Investigação aponta que Layla Lima Ayub teria se infiltrado na corporação a mando da facção. Estadão busca contato com a defesa

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Por Redação
Atualização:

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Veja entrevista com Annette Idler, diretora do Programa de Segurança Global da Universidade Oxford. Crédito: Malu Mões/Estadão

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, determinou a prisão da delegada Layla Lima Ayub após investigações apontarem o envolvimento dela com o PCC.

Na decisão, que atendeu a uma representação do delegado Kleber de Oliveira Granja, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, o magistrado alerta que a contaminação do crime organizado no país já classifica o Brasil como um “narcoestado”.

Enquanto delegada, Layla teria participado de uma audiência de custódia na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC Foto: Reprodução/Instagram

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O termo é usado quando a administração pública passa a ser dominada por facções criminosas, dedicadas primordialmente ao tráfico de drogas, e com uma complexidade estrutural e financeira com a qual os governos não conseguem ou sabem lidar.

“De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso.”

Ex-policial militar no Espírito Santo, Layla Ayub teria um relacionamento amoroso com um integrante do PCC no Pará, identificado como Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’.

Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá Foto: Reprodução/Instagram

No dia 28 de dezembro, já no cargo de delegada, ela teria atuado de forma irregular como advogada em uma audiência de custódia em Marabá, com o objetivo de obter a soltura de um integrante da facção na cidade.

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Empossada em evento no Palácio dos Bandeirantes no dia 19 de dezembro, Layla foi detida nesta sexta, 16, em uma casa alugada na zona Oeste da capital paulista.