
Quando se fala em meningite, é comum pensar em uma única doença. Na verdade, o termo reúne diferentes condições que têm em comum a inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Elas podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.¹
Entre as formas bacterianas, destaca-se a doença meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, conhecida como meningococo. Ela pode se manifestar como meningite ou como sepse, quando a infecção alcança a corrente sanguínea.¹ “O principal aspecto da doença meningocócica é a forma rápida com que ela pode evoluir para situações catastróficas” ², afirma Juarez Cunha (CRM 11928 RS), pediatra e intensivista pediátrico.
A transmissão ocorre por gotículas e secreções respiratórias, sobretudo em situações de contato próximo ou prolongado, e também pode partir de pessoas que carregam a bactéria sem apresentar sintomas.¹ A doença pode acometer pessoas previamente saudáveis, com maior vulnerabilidade entre bebês e crianças pequenas.²
Essa imprevisibilidade ajuda a explicar por que a confirmação de um caso em ambientes de convivência, como escolas, costuma provocar preocupação imediata entre as famílias.², ¹⁰
O meningococo possui seis principais sorogrupos associados à doença: A, B, C, W, X e Y.⁴ Atualmente, a vacinação oferece proteção contra os sorogrupos A, B, C, W e Y.⁵
Para Marcos Gonçalves (CRM 6385 AL), pediatra e imunologista, uma das dificuldades no diálogo com as famílias é a percepção de que toda meningite é uma doença única, causada pelo mesmo agente. “Todo mundo sabe que meningite é uma doença grave. ², ³ Quando as pessoas escutam que alguém pegou meningite dentro de uma escola, todo mundo fica preocupado. Mas, quando a conversa entra nos detalhes, o conhecimento cai bastante”, afirma.
No caso específico da meningite meningocócica, explica o médico, ainda é preciso compreender as diferenças dentro da própria bactéria. Por isso, conhecer os diferentes sorogrupos é parte importante da conversa sobre prevenção. ¹
No Brasil, o sorogrupo B é predominante entre os casos sorogrupados em todas as faixas etárias desde 2023. Em 2025, foram confirmados 1.146 casos de doença meningocócica no País, considerando todos os sorogrupos e idades. Entre os casos nos quais o sorogrupo foi identificado, aproximadamente 55% foram causados pelo B.⁶
A presença do sorogrupo B é ainda maior entre os bebês. Em 2025, foram registrados 62 casos sorogrupados da doença em menores de 1 ano: 69% eram do sorogrupo B; 14%, do C; 8%, do W; 6%, do Y; e 3%, de outros sorogrupos.⁶
Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos de maior risco para a doença meningocócica.² Além da predominância do sorogrupo B nessa população, a vulnerabilidade está relacionada ao amadurecimento do sistema imunológico nos primeiros anos de vida. ¹²
“Assim como a criança nasce sem andar ou falar e vai adquirindo essas habilidades ao longo do tempo, o sistema imunológico também amadurece. Como ele ainda não está completamente formado no início da vida, existe maior predisposição a infecções” ¹², explica Marcos.
Juarez acrescenta que, nos bebês, o reconhecimento precoce pode ser mais difícil porque os primeiros sinais podem se confundir com os de outras infecções e a criança ainda não consegue descrever o que está sentindo. “Na criança pequena, muitas infecções começam com febre e muitas vezes não se consegue identificar o quadro precocemente” ³, afirma.
Os sinais da doença meningocócica podem mudar conforme a evolução do quadro. Nas primeiras oito horas, podem ocorrer dor de cabeça, febre, dor ao engolir, coriza, irritabilidade, náusea, vômitos e sonolência.³ Entre nove e 15 horas, podem aparecer manchas na pele, extremidades frias, fotofobia e rigidez na nuca.³ Já entre 16 e 24 horas, podem ocorrer convulsão, inconsciência, delírio e evolução rápida para sequelas e possível óbito.³
A combinação entre sintomas inicialmente pouco específicos e a possibilidade de agravamento em poucas horas torna a identificação precoce um desafio especialmente importante entre as crianças pequenas. ³,⁵
Nas crianças maiores e nos adultos, a capacidade de relatar o que estão sentindo pode facilitar a identificação de alguns sinais. Ainda assim, os sintomas podem variar e se confundir com os de outras infecções, o que torna necessária a avaliação médica para estabelecer o diagnóstico. ³
“Quando a pessoa tem febre com dor de cabeça, vômito e rigidez de nuca, que é a dificuldade de flexionar a nuca, são sinais de comprometimento neurológico” ³, explica Juarez.
Essa dificuldade de reconhecimento se soma à rapidez com que a doença pode avançar e ao risco de desfechos graves. No Brasil, cerca de duas em cada dez pessoas acometidas pela doença meningocócica invasiva morreram em 2023, segundo dados do Datasus/Sinan. ², ⁷, ¹³
Entre os sobreviventes, podem ocorrer sequelas permanentes. ² “Quando falamos de quem sobrevive, temos uma série de sequelas e complicações que podem acontecer, como amputação de membros, surdez, atraso no desenvolvimento psicomotor e impactos sociais e para a própria família” ², diz Juarez.
Além das consequências clínicas, a rápida progressão da doença e uma eventual internação podem interromper a rotina da criança, afetar seu desenvolvimento e transformar a dinâmica de toda a família. ², ³
A vacinação é apontada pelo Ministério da Saúde como a principal medida de proteção, especialmente contra as meningites bacterianas. ¹ A proteção adequada, porém, depende da conclusão do esquema recomendado, que pode incluir diferentes doses e reforços de acordo com a idade, conforme o calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações. ⁸, ⁹
Para Marcos, atrasos no calendário não significam necessariamente uma recusa deliberada. Eles podem estar relacionados às barreiras de acesso, às dificuldades práticas da rotina familiar e à baixa percepção de risco.¹⁴
Como a doença não aparece com frequência no cotidiano, algumas famílias podem ter a impressão de que ela deixou de representar uma ameaça. O pediatra ressalta, porém, que a lógica da prevenção é justamente evitar que os casos voltem a crescer. “A gente vacina justamente para que a doença não volte a aparecer ou não apareça com mais frequência”, afirma.¹⁴
A GSK destaca a importância da informação para ampliar o conhecimento sobre a meningite meningocócica, contribuindo para a conscientização, a proteção da saúde e a prevenção da doença.
Nesse contexto, a consulta pediátrica representa um espaço para que as famílias esclareçam dúvidas e recebam orientações baseadas em evidências. Segundo Marcos, o pediatra acompanha a vacinação no cotidiano e tem papel importante diante do volume de informações que circulam fora do ambiente médico. ⁸, ⁹, ¹¹
“Quem vive a vacinação no dia a dia é o pediatra”, afirma. Segundo o médico, grande parte das famílias chega ao consultório disposta a proteger os filhos, mas algumas ainda apresentam dúvidas ou preocupações que precisam ser ouvidas e esclarecidas.
“A conversa com a família tem que ser a melhor possível. Quando há dúvidas, é preciso conversar e esclarecer as preocupações que aquela família tem em relação à vacinação”, diz.
Informação qualificada, acompanhamento médico e prevenção ajudam as famílias a tomar decisões conscientes para proteger o presente, o desenvolvimento e as possibilidades futuras das crianças. ¹¹
Material dirigido ao público geral. Por favor, consulte o seu médico.
NP-BR-AVU-PRSR-260002 – AGO/2026
¹ BRASIL. Ministério da Saúde. Meningite: Saúde de A a Z. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite. Acesso em: 11 ago. 2026.
² WORLD HEALTH ORGANIZATION. Meningitis. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/meningitis. Acesso em: 11 ago. 2026
³ THOMPSON, M. J.; NINIS, N.; PERERA, R. et al. Clinical recognition of meningococcal disease in children and adolescents. The Lancet, v. 367, p. 397–403, 2006. Acesso em: 11 ago. 2026
⁴ ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Vigilância das pneumonias e meningites bacterianas em crianças menores de 5 anos: guia prático. 2. ed. Brasília, DF: OPAS, 2020. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/52807. Acesso em: 11 ago. 2026
⁵ SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Perguntas e respostas sobre vacinas meningocócicas. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imunizacoes/. Acesso em: 10 ago. 2026
⁶ BRASIL. Ministério da Saúde. Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica. Painel Meningite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/cnie/painel-meningite. Acesso em: 11 ago. 2026
⁷ Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “SEGUNDO ANO 1º SINTOMA(S)” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, “2023” para Períodos disponíveis, “2023” para Ano e “MCC, MM, MM+MCC” para Etiologia. Base de dados disponível em: https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/meninbr.def. Acesso em: 11 ago. 2026.
⁸ SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de vacinação da SBP 2026/2027. Disponível em: https://www.sbp.com.br/?acervo_download=1&post_id=63953&nonce=e3315eade0&sbp_nonce_refresh=1. Acesso em: julho 2026.
⁹ SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação do nascimento à terceira idade: recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2026/2027. Disponível em: https://sbim.org.br/calendario-de-vacinacao/calend%C3%A1rio-unico-do-nascimento-a-terceira-idade. Acesso em: 11 ago. 2026
¹⁰ SÁFADI, M. A. P. et al. The epidemiology of meningococcal disease in Latin America 1945–2010: an unpredictable and changing landscape. Epidemiology & Infection, v. 141, n. 3, p. 447-458, 2013.
¹¹ SCHMITT, Heinz-J. et al. How to optimise the coverage rate of infant and adult immunisations in Europe. BMC medicine, v. 5, n. 1, p. 11, 2007.
¹² UNICEF. Why delayed vaccination schedules can be harmful to children. UNICEF Europe and Central Asia, 7 out. 2024. Disponível em: https://www.unicef.org/eca/stories/why-delayed-vaccination-schedules-can-be-harmful-children. Acesso em: 11 ago. 2026
¹³ Pesquisa realizada na base de dados DATASUS, utilizando os limites “SEGUNDO ANO 1º SINTOMA(S)” para Linha, “NÃO ATIVA” para Coluna, “CASOS CONFIRMADOS” para Conteúdo, “2023” para Períodos disponíveis, “2023” para Ano, “MCC, MM, MM+MCC” para Etiologia e “ÓBITO POR MENINGITE” para Evolução. Base de dados disponível em: https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exesinannet/cnv/meninbr.def. Acesso em: 11 ago. 2026.
¹⁴ WHO. Ten threats to global health in 2019. Disponível em: https://www.who.int/vietnam/news/feature-stories/ detail/ten- threats-to-global-health-in-2019. Acesso em: 11 ago. 2026



