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Zika é mais agressivo em transplantados, diz estudo brasileiro

Diferentemente do que cientistas pensavam, vírus não é benigno nesse grupo, que teve sintomas mais severos

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Foto do author José Maria Tomazela
Por José Maria Tomazela
Ação do vírus, também transmitido pelo mosquito Aedes, se potencializa em pacientes imunodeprimidos Foto: AP Photo/Felipe Dana

Estudo feito por uma equipe médica do Hospital de Base de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, demonstrou que o vírus da zika é mais agressivo em pacientes submetidos a transplantes de órgãos, como rim e fígado, do que em outras pessoas. Nesses casos, os sintomas resultantes da infecção em nada se parecem com os da dengue, como era consenso até então pelo mundo. 

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O estudo dos pesquisadores da Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Famerp) e da Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme) ganhou a capa da edição de março do American Journal of Transplantation, a publicação mundial de maior prestígio na área.

O grupo acompanhou quatro pacientes – dois transplantados renais e dois hepáticos. Segundo o virologista Maurício Nogueira, havia consenso de que a zika era uma doença benigna para os doentes acometidos, exceto grávidas. “Quando vimos aqueles pacientes com sintomas mais graves, achávamos que era dengue, mas nos exames encontramos o zika.” 

O acompanhamento dos casos mostrou que a ação do vírus, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, se potencializa em pacientes imunodeprimidos. “Tudo indica que o mesmo efeito deve ser encontrado em pessoas com diabete ou em tratamento contra o câncer. Para essa população, em especial, o zika não é aquela doença benigna que se pensava.”

O nefrologista Horácio Ramalho, diretor executivo da Funfarme, acredita que o estudo fará com que o zika seja incluído nas pesquisas virológicas que acompanham os transplantes. “A descoberta serve como alerta mundial para que os centros transplantadores façam a pesquisa de mais esse vírus.”

Sobrevivente. Dos quatro pacientes analisados – escolhidos entre 60 transplantados, três morreram por doenças ou outras causas. O sobrevivente, o motorista Cosmos da Silva, de 53 anos, mora em Jales e está com grave deficiência visual.

Neuraci de Fátima Silva, de 54 anos, mulher do motorista, conta que o marido adquiriu a doença após o transplante de rim, há quase dois anos. “Ele teve dores abdominais muito fortes e também no corpo, e os médicos falavam em dengue. Só que o emocional também foi muito afetado.” Silva ficou dez dias internado no Hospital de Base e se recuperou. “Não fosse pela visão, ele poderia levar vida normal”, diz Neuraci, que abandonou o trabalho de costureira para cuidar do marido e da mãe, de 74 anos, que tem sequelas de um acidente vascular cerebral. “Fico feliz que a doença que afetou tanto a vida dele esteja servindo para, quem sabe, ajudar outras pessoas”, afirma. 

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