Viagem - Ceará - Beack Park - Foto Igor de Melo Divulgação. Foto: Igor de Melo/Divulgação
Foto: Igor de Melo/Divulgação

Com mais estrangeiros e menos navios no País, operadoras querem reforçar vendas de Nordeste no verão

Temporada de cruzeiros terá 7 embarcações e 2 ficarão na COP30 em novembro. Visitantes internacionais crescem na região com novas rotas aéreas

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Por Alessandro Fernandes (especial para o Estadão)
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Com o setor turístico aquecido no Brasil, as operadoras de viagem esperam um aumento nas vendas para o Nordeste no próximo verão. Embora tenha sofrido uma queda em relação a anos anteriores, a região continua com a maior participação no faturamento de destinos nacionais das empresas da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa): respondeu por 45% em 2024.

O contexto no fim deste ano pode ajudar a mudar esse cenário. Com menos navios na temporada brasileira de cruzeiros e mais visitantes estrangeiros no Nordeste, devido ao aumento de rotas aéreas internacionais, os destinos nordestinos podem atrair ainda mais gente para sua interessante combinação de clima agradável, gastronomia, cultura e praias paradisíacas.

Alagoas está sempre na lista dos Estados mais buscados por viajantes; na foto, Maragogi Foto: Adriana Moreira/Estadão

“Isso nos permite competir muito bem com outros países, ou até melhor. Quando juntamos tudo na mesma composição, o Nordeste passa a ser muito atrativo tanto para o cliente brasileiro quanto para o estrangeiro”, diz Juliane Castiglione, diretora de Produtos Aéreos da Decolar. Em setembro, a operadora online já registrou um aumento expressivo na procura por viagens ao litoral nordestino no segundo semestre de 2025, com crescimento de 14% em relação ao observado nesse mês de 2024.

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Customização e destinos consolidados

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A estrutura variada dos destinos nordestinos serve a diferentes públicos, de quem busca de luxo aos que preferem ecoturismo. Para a executiva da Decolar, essa diversidade da região permite uma ampla customização de pacotes para clientes em busca de resorts ou de acomodações mais simples. “O nosso papel aqui é conseguir acompanhar isso da melhor forma possível e garantir que haja um produto na prateleira que seja acessível, em sintonia com o nível e as variações da indústria, para o viajante”, completa.

Na Decolar, a lista dos mais buscados inclui Maceió, Natal, Fortaleza, Porto de Galinhas (PE) e Porto Seguro (BA). Em todas as empresas entrevistadas, destinos já consolidados se mantêm na lista dos mais procurados, com a capital alagoana sempre entre eles. Nas vendas de viagens no primeiro semestre de 2025, a cidade foi mesmo o lugar preferido no Brasil.

Veja três dos destinos mais buscados no Nordeste

Crédito: Nathalia Molina/Estadão

Os estrangeiros também buscam destinos já estabelecidos no Nordeste. Na Abreu, Fernando de Noronha (PE), Porto de Galinhas (PE), Jericoacoara (CE), Praia do Forte (BA), Salvador e Maceió se destacam no interesse de viajantes vindos do exterior, que vêm crescendo na região. Segundo o boletim da Sudene, em 2024, os aeroportos do Nordeste receberam 337 mil visitantes internacionais, crescimento de 36,7% em relação ao ano anterior, mais do que o dobro da média nacional (14,6%).

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“Com base nas projeções atuais, a tendência de crescimento do fluxo de turistas europeus para o litoral nordestino é clara, indicando uma recuperação sólida do mercado após o impacto da pandemia e uma busca crescente por experiências únicas que a região oferece”, afirma Felipe Cuadrado, diretor de Produtos da Abreu no Brasil.

Menos navios e a COP30

Enquanto sobe o número de estrangeiros, diminui a oferta de roteiros para navegar pelo litoral durante o próximo verão. A temporada de cruzeiros que começa em outubro de 2025 terá apenas sete navio, dois a menos do que a anterior. Segundo a Clia Brasil (representante no Brasil da Cruise Lines International Association), isso representará uma oferta 20% menor, com 674,6 mil leitos.

Além disso, com os problemas de hospedagens em Belém durante a COP30, duas embarcações – MSC Seaview e Costa Diadema – permanecem no porto paraense de Outeiro, de 4 a 22 de novembro. Consequentemente, os dois maiores transatlânticos da temporada brasileira ficaram foram dos roteiros nesse período.

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Por causa da COP30, o MSC Seaview, um dos maiores navios da próxima temporada, fica no Pará em novembro Foto: MSC Cruzeiros

“E para onde esses brasileiros vão? Para o Nordeste, já que o destino tem uma sintonia muito forte com esse público que costuma viajar de navio. Por isso, estamos observando uma procura crescente para a região no próximo verão”, diz Fabio Mader, vice-presidente de Produtos e Precificação da CVC Corp.

A venda de viagens para o litoral nordestino responde por metade do faturamento da companhia, que planeja um crescimento de 10% neste ano. O otimismo se reflete na escolha de João Pessoa para sediar a próxima convenção da CVC, em 2026, com 2.500 vendedores na cidade.

E para onde esses brasileiros (que fariam cruzeiros) vão? Para o Nordeste, já que o destino tem uma sintonia muito forte com esse público que costuma viajar de navio.

Fabio Mader, vice-presidente de Produtos e Precificação da CVC Corp

Investimentos no Beach Park

Principal atração turística do Nordeste, o Beach Park, parque aquático no litoral do Ceará, também observa aumento no número de visitantes. Apenas no Aqua Park a demanda de público cresceu aproximadamente 20% nos oito primeiros meses de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado, um acréscimo de cerca de 100 mil pessoas. Os visitantes saem, em sua maioria, do Sul e do Sudeste.

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Nas celebrações dos 40 anos do complexo, em 2025, foram inaugurados o Arvorar, novo parque do destino, e o Surreal, a mais alta montanha-russa aquática do mundo, com investimento total de R$ 55 milhões. Também está em construção o quinto hotel do grupo, o Ohana Beach Park Resort, com 226 apartamentos, com custo de R$ 150 milhões e previsão de entrega para o início de 2026.

Projeto do Beach Park para píer da Beira-Mar de Fortaleza Foto: Projeto Beach Park

Neste mês de setembro, a empresa informa que começará as obras dos píeres da Beira-Mar de Fortaleza, estimadas em R$ 23 milhões. “Seguimos expandindo com novos projetos que não apenas qualificam nossa oferta, mas também contribuem para prolongar a permanência dos visitantes no Estado. Mais dias aqui significam mais empregos, mais renda e uma economia que continua girando em benefício de toda a região”, diz Clarisse Linhares, diretora de Marketing do Beach Park na nota enviada à reportagem.