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Banco Central assume BVA em quinta intervenção desde 2010

Por LUCIANA OTONI E GUILLERMO PARRA-BERNAL
Atualização:

O Banco Central decretou nesta sexta-feira intervenção no banco BVA, citando comprometimento de sua situação econômico-financeira. Foi a quinta ação desse tipo pela autoridade monetária nos últimos dois anos. O episódio não deve desestabilizar o sistema financeiro, embora seja mais um caso para abalar a confiança nas pequenas instituições bancárias, segundo analistas. O BVA --especializado em crédito para empresas de médio porte-- possui apenas 0,17 por cento dos ativos do sistema financeiro nacional e 0,24 por cento dos depósitos. O banco vinha sendo alvo de especulações nas últimas semanas sobre seu potencial colapso. Em comunicado no começo da manhã, o BC disse que foram detectadas no BVA "graves violações às normas legais" e "descumprimento de normas que disciplinam a atividade da instituição". Uma fonte da equipe econômica do governo disse à Reuters que o BC detectou que o BVA tinha provisões insuficientes para ativos com riscos elevados, resultando em informações contábeis não fidedignas. Segundo essa mesma fonte, a instituição precisava de um aporte de 1 bilhão de reais para recompor o patrimônio, mas seus controladores não conseguiram a injeção de capital. O BVA e o BC também tentaram, sem sucesso, uma solução de mercado para o banco. "Os controladores não conseguiram cumprir a exigência de aporte de capital, buscaram formas junto ao Fundo Garantidor (de Créditos), mas não foi possível e o BVA acabou tendo uma deterioração rápida da sua liquidez nas últimas semanas por ter ativos poucos líquidos", disse a fonte. Anos de acelerada expansão do crédito no Brasil resultaram em um ambiente mais duro para captação de recursos. Os problemas têm sido mais evidentes em bancos especializados em empréstimos ao consumo, como consignado e de veículos --mercados em que o BVA não opera. O BVA é controlado por seu fundador José Augusto dos Santos e pelo financista Ivo Lodo. A instituição é sediada no Rio de Janeiro e tem sete unidades nos Estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo. O BC disse estar "tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades". Com a intervenção, ficam indisponíveis os bens de controladores e de ex-administradores da instituição. Procurado, o BVA informou, através de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar sobre a intervenção. SEM RISCOS AO SISTEMA A intervenção no BVA foi decretada um mês depois da liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, em 14 de setembro, que estavam sob administração do BC desde junho. A fonte da equipe econômica disse que o número de bancos com problemas nos últimos dois anos não representa ameaça à solidez do sistema financeiro nacional e não vê risco de contágio. "As ações feitas pelo BC apenas retiram do sistema instituições com fragilidade e isso fortalece o sistema financeiro... O sistema financeiro é sólido, plenamente saudável e o BC não está sendo surpreendido", disse. "Se somarmos esses regimes especiais pode parecer muito, mas estamos falando de 0,40 por cento dos ativos do sistema financeiro e de 0,60 por cento dos depósitos", afirmou a fonte, sobre as cinco instituições que foram alvo de intervenção desde 2010. EXPANSÃO DE ATIVOS O BVA teve em 2011 um crescimento de 33 por cento nos ativos totais, para 6,7 bilhões de reais. O crédito correspondia a 67 por cento do total. Os ativos de pequenos e médios bancos no Brasil triplicou desde 2006, ao custo de erosão da solvência em alguns casos. Com a demanda por empréstimos forte, essas instituições menores embarcaram em ambiciosos planos de crescimento --a causa da atual falta de capital, segundo analistas. "O banco BVA tinha uma estratégia de crescimento com bastante alavancagem. Ele cresceu muito intensamente nos últimos anos, fez muita cessão de carteira de crédito. Mas, ao não aumentar as provisões, criou uma situação de mal estar em relação à imagem e solidez", disse o analista Luis Miguel Santacreu, da Austin Rating. "Há 10 meses eles não apresentam balanços. Um banco que demora 10 meses para apresentar balanços gera muita desconfiança", acrescentou. O último demonstrativo de resultado do BVA disponível é referente a 2011. A fonte da equipe econômica disse que entre os ajustes necessários no balanço do BVA estão a reversão de um patrimônio negativo de 580 milhões de reais e o reenquadramento do patrimônio de referência, totalizando a necessidade de aporte de 1 bilhão de reais. O BC nomeou o servidor Eduardo Félix Bianchini como interventor do BVA, que terá prazo de 60 dias para apresentar um relatório sobre a situação contábil do banco. (Reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.)

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