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Doria se transforma em 'João', ignora Eduardo Leite e faz campanha no Nordeste

Com o PSDB cada vez mais dividido, propaganda partidária que vai ao ar na TV a partir do próximo dia 26 mostrará o ex-governador paulista no figurino 'gente como a gente'

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Foto do author Vera Rosa
Por Vera Rosa
Atualização:

Caro leitor,

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João Doria agora é só João. É assim que a campanha do ex-governador de São Paulo vai apresentá-lo aos eleitores, na tentativa de popularizar sua imagem como o verdadeiro pré-candidato do PSDB à Presidência. Diante de um PSDB cada vez mais dividido e com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite se movimentando para ocupar espaço na disputa, a equipe de Doria vai mirar em João, um homem desconhecido até agora.

A propaganda do PSDB que irá ao ar na TV a partir do próximo dia 26 mostrará o ex-governador paulista no figurino “gente como a gente”. A ideia da equipe de Doria é contar um pouco de sua história como a de uma pessoa que não nasceu em berço de ouro, teve o pai cassado pela ditadura militar e batalhou na vida. Volta à cena, assim, o “João trabalhador” da campanha de 2018, quando ele concorreu ao Palácio dos Bandeirantes. Agora, porém, embalado pelo slogan de “pai da vacina” contra o coronavírus.

João Doria deixou o governo de São Paulo no dia 31 de março para concorrer à Presidência, mas sua pré-candidatura está em risco no PSDB. Foto: ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

O problema é que, embora tenha vencido as prévias do PSDB para escolha do candidato ao Palácio do Planalto, em novembro, Doria enfrenta resistências no próprio partido. A ala do PSDB que prega o apoio a Leite, no entanto, é minimizada por aliados do paulista. O núcleo da campanha de Doria chama o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), ironicamente, de “guru do guri”. Desafeto do ex-governador de São Paulo, Aécio defende a candidatura de Leite.

Um dia depois da reunião do MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania que decidiu lançar uma chapa única à Presidência, Doria continuou agindo como se não houvesse crise nas fileiras tucanas e Leite não representasse uma pedra em seu caminho. Não acusou o golpe nem mesmo após o encontro entre o gaúcho e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), nesta quarta-feira, 6, em Brasília.

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Os dois posaram para fotos no gabinete dela. Passaram a impressão de que estava formada ali a dobradinha da terceira via. No mesmo dia, o ex-governador de São Paulo apareceu sorridente, abraçado à senadora Eliziane Gama (Cidadania), que tem sua base eleitoral no Maranhão. Na mensagem subliminar, a defesa de uma mulher para vice na chapa.Todos agora estão de olho no eleitorado feminino. Se for do Nordeste, melhor ainda.

Em conversas com correligionários, Doria aprovou a decisão dos quatro partidos de antecipar o anúncio do candidato único da terceira via para 18 de maio. A convenção do PSDB será em julho e o ex-governador afirma não haver chance de revogar as prévias, que custaram R$ 11 milhões. No último dia 27,Doria se referiu à articulação de uma parte do tucanato para tirá-lo da disputa como “tentativa torpe e vil de corroer a democracia e fragilizar o PSDB".

O MDB também enfrenta racha interno e Tebet não tem unanimidade. Tanto é assim que líderes de 13 diretórios do MDB, principalmente no Nordeste, querem anunciar o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no primeiro turno. Embora tenha perdido as prévias para Doria, Leite já indicou que aceita ser o vice numa chapa liderada por Tebet.

Na prática, a terceira via que tenta se apresentar como alternativa à polarização entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro mais parece uma “via crucis”. Agora, o deputado Luciano Bivar, que comanda o União Brasil, deve lançar seu próprio nome para análise do grupo. O ex-juiz Sérgio Moro também se filiou ao União, mas está isolado nesse processo.

Batizado por aliados como “campeão da segunda divisão”, ocandidato do PDT, Ciro Gomes, busca apoio em várias frentes e faz de tudo para se consolidar na disputa. Ciro diz, porém, não enxergar projeto no chamado “centro democrático” que não seja a negação de Lula e Bolsonaro.

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É nesse caldeirão de vaidades que a campanha de Doria quer tirar proveito daquilo que é associado a ele como rejeição. O “marqueteiro”, “almofadinha” e “calcinha apertada”, como o definiu Bolsonaro, vai se transformar no político simples, que põe “a mão na massa” e apresenta soluções.

A nova estratégia vai aparecer ainda neste fim de semana, quando Doria visitará Salvador e Rio de Contas (BA), cidade de seu pai, que foi deputado federal. Celeiro de votos de Lula até hoje, o Nordeste é a segunda maior região do País em número de eleitores, só perdendo para o Sudeste. É por isso que João encarnará ali o seu novo personagem.