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Cortes em redações prejudicam jornalismo nos EUA, diz estudo

O desafio que os jornais devem enfrentar imediatamente é conseguir mais lucros com a internet

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Por Redação
Atualização:

Os cortes grandes e profundos nos jornais dos Estados Unidos estão começando a gerar um efeito negativo em seu conteúdo, de acordo com um estudo lançado nesta segunda-feira, 21.   O desafio que os jornais devem enfrentar imediatamente é conseguir mais lucros com a internet, de acordo com o estudo do Projeto para a Excelência do Jornalismo chamado A mudança na redação: O que se está ganhando e o que se está perdendo nos jornais diários dos Estados Unidos.   Administradores de jornais precisam "encontrar uma maneira de monetizar o rápido crescimento dos leitores da web antes que os cortes de equipe enfraqueçam tanto os jornais que eles percam suas vantagens competitivas."   As matérias estão menores na média, determinou o estudo, e a cobertura tende para noticias locais ou da comunidade.   "Os jornais americanos estão estreitando seu alcance e sua ambição, e estão se tornando material de leitura de nichos específicos", diz o estudo.   Mesmo quando notícias estrangeiras ou nacionais vão para os jornais, elas estão sendo relegadas a páginas menos proeminentes.   "Para chegar à capa, a história tem que ter um desenvolvimento significativo ou deve poder ser vista através dos olhos da Flórida", disse Sharon Rosenhause, editora do jornal Sun-Sentinel, do sul do Estado da Flórida.   Os motivos para os cortes nas redações são bem conhecidos: os custos de impressão aumentaram e os lucros com circulação e propagandas caíram, já que os anunciantes seguiram os leitores online. Os sites dos jornais capturaram apenas uma parte do lucro perdido, já que vendem poucos espaços para anúncios.   "O jornalismo dos Estados Unidos está começando a se esgarçar, a despeito do fato de que os jornais são, de longe, a melhor fonte de notícias", disse Lou Ureneck, presidente do departamento de jornalismo da Universidade de Boston. O estudo entrevistou executivos de mais de 250 jornais, além de editores de jornais de 15 cidades, para documentar a maneira como os cortes de pessoal afetaram as redações e a qualidade de seus produtos.   Os resultados mostram que os jornais têm menos histórias de notícias estrangeiras e de âmbito nacional e devotam menos espaço para negócios, ciência e artes. Muitos deles também reduziram as palavras cruzadas e eliminaram os guias de televisão e listas de ações.   Muitos editores disseram que têm que pedir para seus repórteres cobrirem mais histórias, reduzindo a capacidade de produzir histórias autorais. Outros disseram, no que pode criar um círculo vicioso, que os cortes de equipe reduzem a capacidade de fazer um noticiário voltado para a comunidade, e Ureneck disse que a cobertura está encolhendo.   "Essa é uma ação estratégica não é dirigida pela falta de demanda, mas por um modelo de lucro que está com problema", disse.   Ainda assim, 56% dos editores disseram que seu noticiário é melhor do que era há três anos, porque a cobertura está mais específica.   Notícias locais são "muito essenciais" para seus produtos, de acordo com 97% dos editores entrevistados, e eles dizem que é no noticiário local que estão colocando grande parte de seus recursos, cada vez menores.   Para Ureneck isso faz sentido porque assim eles podem "desenvolver um laço mais forte com os leitores, se estão cobrindo a comunidade local."   A redação está mais jovem que há três anos, e os repórteres dominam mais a tecnologia e conseguem atingir as exigências histórias impressas e online, diz o estudo. Os editores que antes evitavam produzir conteúdo para a web estão abraçando cada vez mais seu potencial de diversificar os leitores e melhorar o jornalismo, mesmo que às vezes isso enfraqueça os recursos para a edição impressa.   "Editores se sentem divididos entre as vantagens que a web oferece e a energia que ela consome para a produção de material de qualidade muitas vezes limitada ou questionável", diz o estudo. A web torna o recebimento da notícia mais rápido, permite interação com os leitores e abre espaço quase infinito para as notícias.   "O lado negativo é que a web erodiu a base de anúncio das publicações impressas, e essa é, de longe, a principal fonte de lucros para pagar por novas e grandes equipes", disse Ureneck.   Editores vêem na habilidade de rastrear os leitores de qualquer história específica na internet uma vantagem para a melhoria de conteúdo, dando um "link entre conteúdo editorial forte e o tipo de leitores que atraem propagandas", diz o estudo.   Os editores, 97% dos quais disseram ser ativos em tentar desenvolver novas fontes de receita, podem então convencer a equipe que vende anúncios a se concentrar em vender mais na web.   Muitos disseram, no entanto, não terem certeza se conteúdo melhor garantiria um futuro brilhante - especialmente já que muitas organizações não conseguiram antecipar as mudanças que prejudicaram as redações em anos recentes.   Apenas 5% dos editores entrevistados pelo estudo disseram que estavam confiantes em prever como a redação ficaria em cinco anos.

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