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É grande número de brasileiros barrados, diz embaixador

Por Rosa Costa
Atualização:

Em carta ao presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, reconheceu que "é elevado em termos absolutos, o número de cidadãos brasileiros cuja entrada é impedida no espaço Schengen", formado por 25 países europeus. Ele afirmou que no ano passado, 3.137 brasileiros foram impedidos de entrar em seu país por não rebaterem as suspeitas de que desejavam entrar na Espanha "para fins de imigração irregular ou outros igualmente irregular". O embaixador lamentou que o impedimento ocorra também com "viajantes de boa fé", como a estudante de mestrado da Universidade de São Paulo, Patrícia Magalhães. "Não foi admitida, o que é profundamente lamentável, porque não portava documentação que justificasse o motivo e a viabilidade de sua viagem, tal como um convite da entidade organizadora do congresso científico ao qual se dirigia, reserva de hotel e meios econômicos suficientes." Antecipando-se ao convite feito pela CRE, Ricardo Peidró se pôs à disposição da comissão para prestar os esclarecimentos necessários a respeito da questão. O embaixador afirmou que o "número de cidadãos brasileiros cuja entrada é impedida no espaço Schengen é elevado em termos absolutos". "Não por discriminação, mas porque - além de serem numerosos - não é exigido visto para estadas de curta duração nesses países", disse. Peidró falou que as estatísticas da não-admissão em fronteira da França, de Portugal, da Bélgica e de outros países mostram que os brasileiros "ocupam a primeira ou segunda posição em número de deportados ou não admitidos", afirmou. "Somente na Itália os brasileiros ocupam a terceira posição", disse. Ele negou que os brasileiros não admitidos estejam "em situação de detenção ou de prisão". "São completamente livres para sair do país a qualquer momento". Peidró afirmou que a espera se deve unicamente à falta de lugares disponíveis em vôos de regresso aos aeroporto de origem. "Nada impede que esses viajantes procurem passagens aéreas para outros destinos fora do espaço europeu", disse.

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