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Em três meses, 2008 tem 45 mortes por raio; 2007 teve 46

Nos três primeiros meses de 2007 ocorreram apenas 18 mortes; regiões Sudeste e Nordeste têm mais vítimas

Por Simone Menocchi
Atualização:

Em menos de três meses as mortes provocadas por raios no Brasil chegaram bem perto do mesmo número registrado durante todo ano de 2007. Até esta terça-feira, 25, as descargas atmosféricas tinham causado 45 mortes no País contra 46 no ano passado, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No ano passado, neste mesmo período, tinham ocorrido 18 mortes. Veja também: Especial - Sobre tempestades de raios Entre as regiões brasileiras, Sudeste e Nordeste, tiveram mais vítimas. "Foram 18 em cada uma delas", segundo o pesquisador e chefe do grupo de cientistas no Inpe, Osmar Pinto Júnior. Para o especialista no assunto, um dado assustador. "Estávamos prevendo que os raios seriam mais freqüentes, por conta da influência do fenômeno La Niña, mas não imaginávamos que as mortes iriam subir quase 200%". No restante do País foram mais dez, sendo quatro na região Sul, uma no Norte e outras quatro no Centro-Oeste. A principal explicação é a influência do fenômeno La Niña. O resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial altera a circulação dos ventos globalmente e favorece a formação de tempestades na região Sudeste. Ainda de acordo com o especialista, o que está ocorrendo neste verão com relação às mortes provocadas pelas descartas atmosféricas é semelhante a 2001, ano em que também houve a influência do fenômeno La Niña. "Naquele ano foram 73 mortes registradas", disse Pinto Júnior. Em termos de volume, só na região Sudeste, foram registrados um milhão de raios, contra 700 mil no mesmo período do ano passado. "Tivemos um aumento de 35% no volume de raios." O Inpe divulgou nesta terça-feira o comportamento do fenômeno neste verão. No Norte os raios aumentaram em 70%, no Nordeste, 50%, e no Centro-Oeste 20%. Apenas no Sul do Brasil que o volume teve queda de 10% com relação ao mesmo período de 2007. "As regiões mais próximas do Equador sofrem mais a influência do La Niña, por este motivo, que no Sul, tivemos a redução". O aumento de 50% das descargas atmosféricas no Nordeste também surpreendeu os cientistas. "É uma situação que nunca aconteceu. E talvez por este motivo tenham sido tantas mortes lá. Podemos imaginar que a população do Nordeste não estava acostumada com tantos raios e pela falta de hábito não tomou os cuidados que podem evitar as mortes". Pinto Júnior diz que a grande preocupação dos especialistas é com o futuro. "Se está assim agora, o que pode acontecer com o fenômeno nos próximos dez anos, diante desse aquecimento global?", questiona. "Como o La Niña vai se comportar é a grande pergunta", completa. O fenômeno ocorre, em média, a cada 5 e 7 anos. As duas últimas mortes aconteceram entre domingo e segunda-feira. Em Capoeiras, agreste pernambucano, a dona de casa Sângela Lima Silva, de 33 anos, morreu dentro de casa, quando observava a tempestade pela janela, em um sítio onde morava. Um dia antes, no domingo, o professor maranhense José Ferreira de Araújo, pegava carona na rodovia MA-127, em São João do Sóter (MA) quando foi atingido pela descarga. Prevenção Dos 50 milhões de raios que caem no Brasil, 70% se concentram no verão. Ficar em campos abertos como jardins, praias ou mesmo na rua durante tempestades é um grande risco para a população. "As dicas são as de sempre: se abrigar em lugar fechado, evitando principalmente contato com aparelhos elétricos e falar ao telefone com fio", afirma Pinto Júnior. Computadores, geladeira e até chuveiro elétrico pode representar perigo se ligados durante os temporais.

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