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Glupt! - À sombra da Chardonnay

Por Luiz Horta
Atualização:

O bom das viagens, além de poder citar o Padre Vieira (no seu já surrado bordão: "O melhor não é viajar, é ter viajado"), é ter acesso a vinhos pouco usuais por um preço igualmente surpreendente. Já contei da degustação de vins jaunes do Jura, do Iroulèguy, do txakoli e, antes que cansem de vinhos que não podem comprar aqui, termino minha lista de libações parisienses com uma de Bourgogne Aligoté. Essa uva branca, quase desconhecida fora da França, completamente massacrada pela fama de disputar a Borgonha com a famosa Chardonnay da região, tem suas virtudes, como deu para perceber nos três vinhos provados.Como no caso de toda uva dita menor, um tratamento adequado, diminuição de produção e vinificação cuidadosa podem surpreender. Praticamente toda uva tem seu dia de qualidade, dependendo das mãos em que esteja. Dos vinhos bebidos, dois eram de produtores respeitáveis e meus conhecidos, madame Lalou Bize-Leroy e Claude e Catherine Marechal. O terceiro, dos produtores Alice e Olivier de Moor, encontrei por acaso no bistrô e bar a vins tão querido dos brasileiros, o Le Baratin. Servido por taça no restaurante, fez tanto sucesso que acabei pedindo a garrafa, perguntando onde comprá-lo e montando a degustação. É fino, delicado, excelente com comida, tem um leve sabor metálico, que aumenta seu charme, e um aroma agradável de campo, floral. O rótulo é lindo e ilustra a coluna, arte da caligrafia. A Aligoté lembra a Pinot Gris, uva sem muito protagonismo, de fala baixa, que não subjuga a comida. O dos Marechals é igualmente fresco, límpido e com acidez voluptuosa. Muito fácil de beber, perigosamente fácil... O menos interessante, curiosamente o mais caro (quase o dobro dos demais), foi o Leroy. Era pesado, um pouco inexpressivo e sério. Talvez tentasse ser um Chablis, uma bobagem. Se tivesse se mantido sendo o que nasceu para ser, um belo matador de sede com mineralidade, teria tido melhor avaliação. *** Bourgogne Aligoté 2007Domaine Alice et Olivier de MoorUm vinho sincero e direto, possui un coeur simple, fresco, adaptável a todo tipo de comida, não fala alto nem domina a mesa, faz boa parceria com peixes e queijosViagem engarrafadaParada nº 43/100Borgonha, FrançaAligotéUva branca mais simples que a Chardonnay, agradável, de ótima acidez, fácil de beber

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