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Maceió: afundamento de mina desacelera para 0,3 centímetros por hora; alerta máximo é mantido

Ritmo caiu de 0,7 cm/hora para 0,3 cm/hora; solo onde funcionava o poço 18 da petroquímica afundou 7,4 cm nas últimas 24 horas. Empresa diz adotar medidas de monitoramento

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Por Caio Possati
Atualização:

O afundamento do solo da mina 18, em Maceió, Alagoas, diminuiu de velocidade, de acordo com novo boletim da Defesa Civil divulgado neste domingo, 3. Segundo o órgão, o deslocamento vertical apresenta atualmente um ritmo de 0,3 cm por hora, uma desaceleração em comparação aos dados de sábado (0,7 cm/hora), e sexta-feira, 1º (2,6 cm/hora).

Nas últimas 24 horas, o solo onde funcionava o poço da Braskem afundou 7,4 cm e o deslocamento acumulado chegou a 1,70m, de acordo com a Defesa Civil. O órgão afirma que, apesar da desaceleração, ainda se mantém em alerta máximo, “por conta do risco iminente de colapso da mina 18″, localizada a mil metros de profundidade, no bairro Mutange.

Nas últimas 24 horas, o solo onde funcionava o poço da Braskem afundou 7,4 cm e o deslocamento acumulado chegou a 1,70m, segundo a Defesa Civil Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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“Por precaução, a recomendação é clara: a população não deve transitar na área desocupada até uma nova atualização da Defesa Civil, enquanto medidas de controle e monitoramento são aplicadas para reduzir o perigo”, alerta a Defesa Civil no boletim.

A cidade de Maceió, em Alagoas, decretou estado de emergência esta semana em decorrência do risco iminente de colapso da mina, que até 2019 fazia a extração de sal-gema em 35 poços abertos na cidade. A situação era considerada estável até essa semana, mas na noite da última quarta-feira, 29, tremores voltaram a ser sentidos na região e 23 famílias, por decisão da Justiça, tiveram de ser evacuadas.

A mina 18 é uma das 35 cavidades abertas pela Braskem para a exploração e extração de sal-gema, um cloreto de sódio utilizado para produzir soda cáustica e policloreto de vinila (PVC). O poço possuía 500 mil metros cúbicos, segundo a prefeitura de Maceió. E não é possível prever, ainda, o tamanho da cratera que se formará com o possível colapso.

O coronel Moisés Melo, coordenador da Defesa Civil de Alagoas, afirmou no último sábado que, embora a mina da Braskem possa colapsar a qualquer momento, a cratera resultante deverá ser preenchida com água da Lagoa Mundaú, o que não resultará em danos tão grandes quanto o esperado.

Os problemas na capital alagoana começaram em 3 de março de 2018, quando um tremor de terra causou rachaduras em ruas e casas e o afundamento do solo em cinco bairros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e em uma parte do Farol. Mais de 55 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas naquele ano.

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Por conta de rachaduras que surgiram em casas e nas ruas de alguns bairros da cidade, as 35 minas da Braskem abertas para a extração de sal-gema começaram a ser fechadas em 2019. Cinco anos depois, algumas ainda encontram-se abertas. As operações na região começaram em 1976, e desde 2010 pesquisadores já alertam sobre os riscos da movimentação do solo provocada pela realização da atividade mineradora.

A Braskem declarou em nota que “continua mobilizada e monitorando a situação da mina 18, localizada no bairro do Mutange, tomando todas as medidas cabíveis para minimização do impacto de possíveis ocorrências”. A companhia acrescenta que “todos os dados colhidos estão sendo compartilhados em tempo real com as autoridades, com quem a Braskem vem trabalhando em estreita colaboração”.

Ainda segundo a empresa, a extração de sal-gema em Maceió foi totalmente encerrada em maio de 2019. “A Braskem vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025″, diz o texto.

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