PUBLICIDADE

Morre seu Beto, um dos fundadores da Mocidade Alegre

Por GHEISA LESSA
Atualização:

Mais de quatro décadas de dedicação ao samba, três sambas de enredo compostos, um hino de exaltação à importância da livre competição e dezenas de "filhos" lamentando a sua partida. Essa é a herança deixada por Alberto Alves da Silva, o Seu Beto, um dos fundadores da escola de samba Mocidade Alegre. Ele morreu na segunda-feira, no Hospital Ipiranga, zona sul da capital paulista. Seu Beto cantarolou Receita de Bamba - sua composição mais famosa - pela última vez em 16 de setembro, na quadra da agremiação.Mesmo não presente na data de fundação da Mocidade, em 24 de setembro de 1967, Seu Beto é reconhecido como pai do grupo. Ainda na década de 1970 ele trabalhou na construção da quadra de ensaio da escola - a "Morada do Samba" - e nunca mais deixou de comparecer semanalmente ao número 3.498 da Avenida Casa Verde, no Bairro do Limão.A escola, campeã oito vezes do Carnaval Paulista - a última delas em meio à confusão na apuração dos votos em fevereiro deste ano - adquiriu o bicampeonato em 1972 cantando na avenida uma das composições dele: "São Paulo, Trabalho, Floresta e Samba". Seu Beto também compôs os sambas enredo de 1979 - "A Revolta dos Males" - e de 1981 - "Vissungo, Canto de Riqueza".De acordo com a agremiação, Receita de Bamba é um hino que ele escreveu e costumava cantar tradicionalmente em todas as finais de samba enredo da Mocidade Alegre. No dia da final, dia que se escolhe a letra do samba que embalará a agremiação na avenida, ele brindava a disputa com os versos "O importante é competir/ Entrar no jogo e saber perder/ Ontem fui eu/ Amanhã poderá ser você".A presidente da escola Mocidade Alegre Solange Cruz disse que no dia 16 de setembro, quando foi escolhido o samba enredo do próximo Carnaval, a diretoria da agremiação notou a má disposição no fundador. Segundo Solange, seu Beto foi internado apresentando quadro de anemia no Hospital Ipiranga no dia seguinte, 17 de setembro. Resultados de exames apontaram um tumor maligno em sua coluna. Debilitado, o compositor chegou a passar por alguns procedimentos de transfusão de sangue, mas não resistiu à doença e faleceu, aos 81 anos de idade, às 6h30 de segunda-feira. "Eu praticamente nasci na Mocidade e eu não me lembro de nenhum momento da escola onde o Seu Beto não estivesse presente", disse a atual presidente da Mocidade. Reservado, ninguém da escola sabia o endereço de onde ele morava. "Sempre que alguém dava carona para ele, ele pedia para ser deixado em frente a uma padaria no bairro da Aclimação."O corpo de Seu Beto continuava, na manhã desta terça-feira, no Instituto Médico Legal (IML) do Brooklin. O irmão do compositor, Arnaldo Alves, deve chegar ainda nesta terça-feira ao instituto para liberar o corpo para ser velado e enterrado. Segundo Solange o cemitério que receberá a cerimônia deve ser o de Vila Nova Cachoeirinha, na Avenida Frederico Augusto.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.