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Na produção de frangos orgânicos de corte, conforto também é essencial

A Korin Agropecuária já cria aves por esse sistema e plano principal é partir[br]para a exportação

Foto do author José Maria Tomazela
Por José Maria Tomazela
Atualização:

Atentas às exigências internacionais pela carne saudável, algumas empresas paulistas já investem na produção de frangos orgânicos em escala comercial. A Korin Agropecuária, de Ipeúna (SP), produz frango orgânico caipira congelado de acordo com normas mundiais. A certificação é do Instituto Biodinâmico (IBD). Em 1995, a Korin já havia sido pioneira no lançamento do ''frango verde'', sem o uso de antibióticos e promotores de crescimento. Uma parte da produção do frango orgânico deve atender ao mercado interno, mas o grande foco são as exportações. ''França, Alemanha, Japão e Estados Unidos são grandes consumidores de produtos orgânicos'', diz o gerente-comercial Edson Shiguemoto. Segundo ele, a Korin já exportou frango verde para o Japão e acredita que o frango orgânico também atenderá a esse mercado. QUALIDADE ''Nosso frango atende a um número crescente de pessoas preocupadas com uma boa alimentação, aliada aos princípios de sustentabilidade ambiental e social, inerentes ao sistema de produção orgânica certificada.'' Além da alimentação orgânica, as aves contam com área de pastejo. ''Esse método valoriza o bem-estar animal, resultando em uma ave saudável, com sabor e textura diferenciados.'' Como o custo da matéria-prima utilizada, milho e soja orgânicos, é cerca de três vezes maior do que a ração convencional, o quilo do frango caipira orgânico está cotado entre R$ 10 e R$ 11 para o consumidor final. A produção inicial é de 20 toneladas de carne por dia. No mercado interno um dos parceiros da empresa para a comercialização do frango caipira orgânico será a rede de supermercados Pão de Açúcar. Na produção de frangos de corte também já se procura reduzir o stress, sobretudo no período do pré-abate. De acordo com o pesquisador José Antonio Delfino Barbosa Filho, do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a falta de manejo cuidadoso acarreta grandes perdas na retirada dos frangos dos aviários e no encaminhamento para o abatedouro. É o período da criação em que as manifestações de stress são mais intensas e resultam em prejuízos para o criador. Barbosa demonstrou que as aves ficam mais sujeitas a traumas, como fratura de pernas, asas e pescoço, durante o pré-abate. Essa condição é agravada quando o manejo para a coleta das aves, sua colocação em engradados e transporte para o abatedouro são inadequadas. A perda de aves é maior quando essas operações são feitas em dias quentes. ''A má condução dessa fase anula todo o investimento feito em outras etapas da criação, pois a perda atinge frangos geneticamente melhorados, bem nutridos e que estavam prontos para reverter em benefício financeiro todo o custo da produção'', diz o pesquisador.

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