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Negociação automotiva entre Brasil e México segue indefinida

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Por Redação
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Brasil e México não chegaram a um acordo para a revisão do acordo automotivo que mantêm desde 2002 nesta quarta-feira, segundo o Itamaraty. O governo brasileiro insiste em incluir no novo documento um dispositivo de cotas para importações de veículos mexicanos, disse à Reuters uma fonte do Executivo, ponto que seria o principal entrave da negociação. Outros pedidos brasileiros como um aumento paulatino da exigência de maior conteúdo de autopeças mexicanas nos automóveis exportados para o Brasil, hoje em 30 por cento, e a inclusão de veículos pesados no acordo têm sido melhor recebidas pelos mexicanos. O Itamaraty disse que as negociações vão prosseguir por telefone e que é aguardada uma solução para breve, mas não foi estimado um prazo para o anúncio de uma decisão. A fonte do Executivo brasileiro, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que o país "não abre mão das cotas" numa possível revisão do acordo. Essas cotas seriam flexíveis e funcionariam num modelo semelhante ao adotado com a Argentina atualmente. O acordo entre os dois países já teve um dispositivo de cotas de importações, que vigorou até 2007, mas depois essa exigência foi abandonada. Em entrevista a jornalistas mexicanos na terça-feira, o subsecretário de Comércio Exterior, Francisco de Rosenzweig, disse que ainda estava "tendo muito cuidado para entender ao que se referiam as cotas". As conversas entre os dois países para a revisão do acordo tiveram início neste mês e na terça-feira foram aprofundadas com reuniões entre ministros dos dois países. O Brasil esperava obter um resultado das negociações nesta quarta, mas os mexicanos pediram mais tempo. Na terça, depois de horas de reuniões, o porta-voz do Itamaraty ainda não descartava a hipótese de encerramento do acordo de mais de dez anos. O Brasil considera que nos últimos meses o acordo se tornou maléfico para sua balança comercial e já ameaça empregos na cadeia produtiva automotiva. No ano passado, o país registrou um déficit comercial de aproximadamente 1,7 bilhão de dólares com o acordo. (Por Jeferson Ribeiro, reportagem adicional de Esteban Israel em São Paulo)

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