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Polícia do Rio matou mais em confrontos em 2008, diz relatório

Dados do ISP apontam que este ano teve 12% mais mortes; homicídios dolosos, no entanto, diminuíram em 8,7%

Por Clarissa Thomé e Ítalo Reis
Atualização:

A polícia fluminense bateu novo recorde de mortes em confronto - os chamados autos de resistência. O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou nesta terça-feira, 1º, que 144 pessoas morreram em abril em supostas trocas de tiros com policiais. Em março, a polícia matou 140. Esses números são os maiores nos 10 anos em que os índices de violência são publicados pelo governo do Estado. Nos quatro primeiros meses do ano, 502 pessoas morreram em confronto com a polícia - 53 a mais do que o mesmo período de 2007. Isso representa aumento de 12% das mortes em 2008. Veja também: Até março, balas perdidas feriram 75 no Rio, diz relatório Para o cientista político João Trajano Sento-Sé, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os resultados da polícia fluminense são conseqüência da política adotada de "intensificar o enfrentamento" em algumas favelas. "É uma estratégia equivocada, e que não pode ser predominante na política de segurança. Quando adotada, deve ser precedida de planejamento e preparo para que o número de vítimas seja zero. E acompanhada ainda de estratégia complementar para que aquela região fique pacificada. Mas nada disso acontece", afirmou. Sento-Sé ressalta que essa política não tem se refletido nas estatísticas da produção policial. Entre janeiro e abril de 2007 e o mesmo período deste ano, houve queda na apreensão de drogas (-5%) e armas (-10%), na recuperação de veículos (-16%), nas prisões de adultos (-1,6%) e na apreensão de adolescentes (-6%). Houve aumento no cumprimento de mandados de prisão: 15%. "O governo age respaldado pela opinião do cidadão médio, que durante anos foi bombardeado com a informação de que a reação dura e agressiva era a única solução. Isso é perigoso. Se autoridades da área econômica não consultam a população a respeito de medidas para a administração da economia, autoridades da área de segurança não deveriam se respaldar na opinião de pessoas não preparadas para definir a política de segurança, ainda mais quando essa política não mostra resultados". Homicídios Entre os crimes acompanhados pelo Núcleo de Pesquisa em Justiça Criminal e Segurança Pública (Nupesp), ainda comparando-se o primeiro quadrimestre de 2007 e 2008, o estudo aponta que o número de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) caiu. Entre janeiro e abril de 2008, foram registrados 2.030 mortes, contra 2.224 no ano passado. Isto representa uma queda de 8,7% (menos 194 vítimas). Se comparado apenas o mês de abril dos dois anos, a queda foi ainda maior: 18,7% (menos 107 vítimas). Segundo o ISP, este é o mês de abril menos violento desde quando foi iniciada a pesquisa, em 1991. Ainda de acordo com a análise, além dos homicídios culposos, outros 15 tipos de ocorrências tiveram redução, 16 delitos tiveram aumento e um teve o mesmo número de incidências entre janeiro e abril deste ano, em comparação com 2007. Dos tipos de crime considerados prioridade pela Secretaria de Segurança do Estado quatro obtiveram queda e três apresentaram aumento. Entre os números mais importantes, o de latrocínio (roubo seguido de morte), roubo de pedestre e roubo de aparelho celular tiveram aumento no primeiro quadrimestre deste ano: 18,2% (dez vítimas a mais), 21,3% (3.855 casos a mais) e 8,0% (199 mais casos), respectivamente, se comparados a 2007. Já os números que apresentaram queda foram os de roubo a veículos (18,1% - menos 2.109 casos), roubo em coletivos (2,1% - menos 61 casos) e furto a veículos (queda de 4,1% - 305 casos a menos).

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