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Trigo: Argentina cobra mais para exportar

Imposto de exportação foi para 28%, mas taxa sobre farinha ficou em 10%, o que prejudica indústria brasileira

Por Jane Miklasevicius
Atualização:

A decisão do governo argentino de elevar os impostos de exportação de trigo em grão de 20% para 28%, sem alterar as taxas incidentes sobre as vendas externas de farinha de trigo, de 10%, prejudica ainda mais a indústria brasileira, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo, Luiz Martins. Segundo ele, antes da elevação do imposto, anunciada no dia 7, moinhos brasileiros já haviam parado de comprar trigo em grão da Argentina para importar a farinha e poder concorrer com o produto argentino colocado no mercado nacional. O argumento é de que a farinha argentina chega aqui a um preço mais competitivo, pois, além de pagar imposto menor na exportação, é produzida com trigo mais barato. Martins diz que no mercado interno os moinhos argentinos pagam US$ 180 a tonelada do trigo, enquanto o mesmo produto sai por US$ 300/tonelada para o Brasil. ''''Se nada for feito, moinhos vão despedir funcionários e comprar farinha argentina para revender aqui.'''' NOTA DE ALERTA Na semana passada, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) divulgou nota alertando o governo federal para a situação. ''''Se a Argentina aumentou seu imposto de exportação do trigo, tem de aumentar o da farinha de trigo para os mesmos 28%. Caso isso não ocorra, será uma medida para destruir a indústria nacional brasileira, pois seremos obrigados a comprar farinha de trigo do país vizinho, fechando postos de trabalho e tornando o País dependente da farinha argentina para nosso pão, macarrão e bolachas'''', afirma o presidente da entidade, Samuel Hosken. O setor pede ao governo que adote medida compensatória, para preservar a indústria. A compensação ocorreria na forma de uma taxa, de 18%, a ser cobrada na entrada da farinha de trigo argentina no Brasil.

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