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Diversidade e Inclusão

Ataque à Lei de Cotas ou o BBB?

Repercussão desproporcional entre as duas discussões, com suas indignações desiguais, evidencia a superficialidade de interesses que mantém a população com deficiência isolada e invisível.

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Por Luiz Alexandre Souza Ventura
Atualização:
Particularmente, torço para Vinícius vencer o BBB 2024.  


Lutar por acessibilidade é a rotina das pessoas com deficiência. Não tem dia que barreiras ao nosso direito de ir e vir deixem de aparecer. Sendo assim, nossas demandas são constantes, exigimos nosso espaço e todos os recursos possíveis para ocuparmos esse lugar.

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A presença do atleta paralímpico Vinícius Rodrigues no Big Brother Brasil, da Rede Globo, é bastante importante porque, certamente, vai gerar muitas discussões sobre nossa realidade. E isso já começou agitado, com a necessidade do 'brother' remover a prótese para concluir uma prova porque o dispositivo seria danificado.

Alguém da produção perguntou ao Vinícius quais seriam as necessidades dele naquela situação? Está claro que não. A oferta do recurso acessível veio depois, um erro habitual. Percebemos que ninguém aprendeu nada antes de montar a situação.

Com a força do programa, as redes sociais, principalmente de gente com deficiência, estão repercutindo o caso e dando bronca na dona Globo. É justo, é muito justo, é justíssimo.

Agora, você soube da fala do ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, sobre a Lei de Cotas (n° 8.213/1991), aquela que estabelece a contratação de trabalhadores com deficiência em empresas com 100 ou mais funcionários?

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Durante evento na semana passada de lançamento do 'Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes', o ministro defendeu uma aliviada nas autuações às corporações que não cumprem a lei e disse que é possível flexibilizar a regra.

"Têm empresas que, às vezes, têm dificuldade de cumprir as cotas, seja a cota PCD, seja a cota da aprendizagem. Um amigo meu, com uma empresa de limpeza, disse: 'Ministro' - ele nem me chama de ministro. Ele disse: 'Marinho, deixa eu falar uma coisa para você. Minha empresa é de limpeza. Qual mãe que vai querer que um filho aprenda a varrer, a limpar vidraça? Eu não consigo cumprir essa cota. Você precisa reduzir, para esse tipo de empresa, só para a administração'. Uma empresa falou, duas falaram, três falaram. Eu fui refletindo sobre isso e cheguei à seguinte conclusão: nossa meta é dar oportunidade para a juventude. Não é isso? Então! Mas as empresas não podem ser punidas com autuação pesada por não cumprir a cota se elas não têm condições naturais de cumprimento, mas ela pode contribuir. Primeiro, arcando com o que é possível. O que não é possíjvel ela pode, e nós vamos propor, criar um fundo, aliás dois fundos, o PCD e o Fundo de Aprendizagem. A empresa que não tem condições, pela sua atividade, porque tem muita atividade que não é permitido que o jovem participe lá daquele setor, se é insalubre, se é perigoso. Então, a diferença ela pode depositar num fundo, que a gente pode apoiar eventos. Essa é um pouco a lógica e estamos abertos a escutar as empresas, com sua experiência, se esse é o caminho certo mesmo, mas eu estou de que esse pode ser um bom caminho", declarou o ministro.



Particularmente, torço para Vinícius vencer o BBB 2024. Será ótimo para ele e talvez essa conquista ajude em nossa batalha por visibilidade.

Do lado de fora da casa mais vigiada do Brasil, mudanças na Lei de Cotas que atendam ao lobby das empresas e flexibilizem a inclusão no trabalho têm força para prejudicar milhões de pessoas com deficiência.

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A repercussão desproporcional entre as duas discussões, com suas indignações desiguais, evidencia uma superficialidade de interesses que mantém a população com deficiência isolada e invisível.



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