PUBLICIDADE

Foto do(a) blog

Diversidade e Inclusão

Invisibilidade de pessoas negras com síndrome de Down

“Não adianta pedir respeito para minha filha com síndrome de Down, mas ser homofóbica, racista, classista e olhar só para a minha bolha cheia de privilégios”, diz Carla Schultz, fundadora da Iniciativa Kids, em debate sobre o racismo na vida das pessoas com deficiência.

Foto do author Luiz Alexandre Souza Ventura
Por Luiz Alexandre Souza Ventura
Atualização:


Evento reuniu famílias de crianças com deficiência para debater a pauta racial nas discussões sobre inclusão. Foto: Divulgação.


A invisibilidade de pessoas negras com síndrome de Down foi pauta de um debate organizado pelo projeto , de diversas famílias de pessoas com deficiência e transmissão ao vivo pelo perfil @caminhoscommanu no Instagram.

PUBLICIDADE

“Não é só sobre falar de parentalidade atípica, pois a minha inspiração é que, se eu busco uma sociedade mais justa, respeitosa e plural para todos, não adianta pedir respeito para a Manu, minha filha de 5 anos com síndrome de Down, mas ser homofóbica, racista, classista e olhar só para a nossa bolha cheia de privilégios”, declarou no evento a fundadora da Iniciativa Kids, Carla Schultz.

O encontro, no último dia 29 de outubro, no Gexperience, trouxe discussões sobre interseccionalidade, capacitisimo e discriminação, e também sobre o racismo na vida das pessoas negras com deficiência.

“Não ver pessoas negras e com síndrome de Down nos meios de comunicação, campanhas, eventos e organizações é somente a ponta do iceberg, isso oculta diversas camadas de problemas relacionados à desigualdade”, afirmou Thiago Ribeiro, fundador do InvisibiliDown.

“No Brasil, a maioria da população que mais sofre é negra, em qualquer indicador social, quando nos referimos à ausência de direitos, de acesso à saúde, educação e lazer, além de indicadores de violência. O recorte racial nas pautas de inclusão é urgente, pois não estamos falando sobre representatividade estética ou meramente decorativa, mas sobre o direito a um desenvolvimento pleno, à cidadania e, principalmente, o direito à vida”, comentou.

Publicidade

“É sobre a sociedade entender que o Noah, meu filho preto e com síndrome de Down, deveria ter assegurado o direito de ter acesso às mesmas oportunidades disponíveis para pessoas brancas. Inclusão para quem?”, questionou Ribeiro.

Também estiveram presentes Tamara Braga, líder de diversidade e inclusão da Gupy, empresa de tecnologia para recursos humanos, e Claudio Arruda, embaixador da Iniciativa Kids.

Novos encontros estão marcados para 26 de novembro e 17 de dezembro, das 9h30 às 12h30, no Gexperience do Shopping Market Place, que fica Rua Doutor Chucri Zaidan, nº 902, piso superior, em São Paulo. A entrada é gratuita para famílias cadastradas no Iniciativa Kids. Demais interessados precisam comprar ingresso.


Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.