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Diversidade e Inclusão

Projeto da EY para inclusão de autistas completa um ano, com previsão de dobrar contratações

Programa já tem sete funcionários, que trabalham no setor de tecnologia, sem nenhuma demissão ou substituição. Empresa diz que iniciativa será ampliada para mais áreas de negócio e outros países da América Latina.

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Por Luiz Alexandre Souza Ventura
Atualização:

Grupo interno da EY tem 150 pessoas com deficiência que debatem atividades para desenvolvimento. Foto: Divulgação. 


Pessoas neurodiversas ou com deficiência intelectual enfrentam forte rejeição do mercado de trabalho. Falta de conhecimento, dificuldade para encontrar indivíduos com condições de atuar de maneira profissional, formação limitada e escassez de candidatos são argumentos comuns de empresas quando questionadas a respeito dessa exclusão.

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O cenário já foi muito pior, mas ainda está distante de ser considerado realmente aberto e totalmente inclusivo. A presença de funcionários com síndrome de Down, por exemplo, se tornou simbólica nas corporações, reflexo das ações inclusivas de muitas instituições e da atuação de consultorias especializadas na contratação de profissionais com deficiência. Autistas também ganharam mais visibilidade nos últimos anos, mas o alvo prioritário costuma ser o 'gênio' de alto desempenho, um 'super humano' capaz de façanhas apresentadas em filmes e seriados de TV ou streaming.

Um programa de inclusão direcionado à neurodiversidade e à deficiência intelectual precisa de acompanhamento especializado, tem de haver interesse de verdade no sucesso dessa iniciativa, para que o ambiente de trabalho seja acolhedor e os profissionais contratados permaneçam.

"É esperado que gestores contratem profissionais com deficiência, mas dentro da empresa isso não pode ser uma imposição. No caso de pessoas com deficiência intelectual, há gestores que não se sentem capacitados para receber. Para incluir pessoas autistas de forma adequada, em um ambiente verdadeiramente inclusivo, é fundamental entender as complexidades desse processo", diz Maithe Paris, líder em diversidade, equidade, inclusão e responsabilidade corporativa da EY para a América do Sul, uma das responsáveis pelo 'Hub de Analytics', programa da empresa para inclusão de profissionais neurodiversos que completou um ano.

"O Hub já tem sete profissionais autistas, que trabalham com tecnologia da informação, todos CLT (contratados conforme as regras da Consolidação das Leis do Trabalho). E a expectativa é dobrar o número até junho de 2023", afirma Maithe.

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A líder explica que a EY, em 2009, antes da criação da área de diversidade, começou um programa que nasceu na universidade corporativa, de comunicação escrita voltada a funcionários com deficiência auditiva. Em 2015, surgiram os grupos de afinidades, dentro do projeto chamado atualmente de 'Habilidades Mais', que reúnem funcionários de cinco representatividades - pessoas com deficiência (auditiva, física, intelectual e visual), LGBTQIAP+, mulheres, mulheres em TI e étnico-racial -, que debatem sobre atividades de desenvolvimento. No total, a companhia tem 6.640 funcionários no Brasil, sendo que 300 são pessoas com deficiência.

"ESG é um novo conceito e dentro do S há uma visão muito abrangente que a EY sempre priorizou. É necessário um prosicionamento afirmativo, há muitas empresas embaladas e muitas iniciativas", comenta Maithe. A especialista cita o caso do funcionário Henrique Ribeiro, que atuava em Recife e, há 15 anos, descobriu que tem ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). "Atualmente, ele não fala nem se movimenta e trabalha em casa, no time de responsabilidade corporativa, escreve e manda comandos por meio a Alexa (assistente virtual desenvolvida pela Amazon)".


Maithe Paris é líder em diversidade, equidade, inclusão e responsabilidade corporativa da EY para a América do Sul. Na imagem, ela está com dois funcionários autistas que fazem parte do 'Hub de Analytics'. Foto: Arquivo Pessoal / Maithe Paris.


"O HUB é um exemplo do desafio da inclusão. Um ano depois, todos os autistas contratados permanecem na empresa", celebra Maithe Paris. "A EY já tinha funcionários com deficiência intelectual no Brasil. E acompanhamos os bons resultados de programas da empresa para autistas em outros países", diz.

O projeto segue uma metodologia de emprego apoiado aplicada pela consultoria Ser Especial, com capacitação de quem receber os novos empregados, por meio de conversas para evitar capacitismo, avaliação de situações que atrapalharam a inclusão dos profissionais na primeira área de entrada, revisão de atividades atribuídas, acompanhamento durantes mudanças na rotina pessoal e uma rede de apoio. "Mais autistas procuraram a EY, houve um aumentou de 60% das candidaturas de pessoas com deficiência", comenta Maithe.

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Leandro Boralli, que trabalha como assistente de tecnologia da informação, é um dos contratados no projeto para profissionais neurodiversos. Ele conta que o apoio recebido é importante para o desenvolvimento e pessoal porque isso fortacele sua autoconfiança nas tarefas e desafios. "Tenho reunião mensal com uma psicóloga, que me ajudou demais na transição para o mundo corporativo, foi essencial para a minha adaptação e para eu não ficar sobrecarregado de tensão e ansiedade perante esse mundo novo que se abria".

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Para Vitor Saito, também autista e que, assim como seu colega, atua como assistente de tecnologia da informação, ser apoiado teve impacto positivo no desenvolvimento profissional, para aprender novas habilidades, melhorar a gestão de tempo e de tarefas, ser menos tímido e fazer novas amizades. "Tenho conhecimento para conversar sobre diversos assuntos e organizar as tarefas de casa, também para conviver com outras pessoas, dentro e fora do ambiente de trabalho, e entender mais sobre diversidade. Isso me ajuda muito a ser mais aberto, ter empatia".

André Marinho, que trabalha como assistente de supervisão de operações, afirma que ter seu esforço reconhecido no mercado de trabalho é um reflexo muito positivo de sua vivência no ambiente profissional inclusivo. "É muito gratificante, sou sempre acompanhado e tenho suporte para o trabalho. Recebo elogios e evoluo profissionalmente".

De acordo com a EY, o Hub de Analytics está pronto para ser ampliado e implementado em outras áreas de negócios e também em outros países da América Latina.


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