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Viúva de Marielle Franco denuncia ter recebido ameaça de estupro ‘corretivo’

Monica Benício, que é vereadora no Rio, recebeu mensagem por e-mail; polícia tenta identificar o autor

Por Fabio Grellet
Atualização:

A vereadora do Rio de Janeiro Monica Benicio (Psol), viúva de Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018, denunciou à polícia do Rio, na tarde desta terça-feira, 22, ter recebido pela internet uma ameaça de estupro “corretivo”. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que vai tentar identificar o autor da mensagem.

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Segundo Monica, a ameaça chegou no último dia 14, pelo e-mail oficial que utiliza como vereadora. O autor se identifica como Astolfo Bozzônio Rodrigues e diz ser doutor em Psicologia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A vereadora não sabe se essa é a identidade real do autor da ameaça, mas chegou a identificar uma conta vinculada a esse nome na rede social X (antigo Twitter) com publicações homofóbicas.

A vereadora Monica Benicio (Psol) registra queixa-crime na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância após sofrer ameaça de estupro 'corretivo' Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A mensagem recebida pela vereadora tem teor lesbofóbico. “Ele diz que ser uma mulher lésbica é uma aberração”, relata a vereadora.

estupro é chamado de corretivo porque, segundo o autor da ameaça, teria o efeito de “corrigir” a preferência sexual da vítima. “O e-mail descrevia, inclusive, como seria o crime, algo muito violento não só para uma mulher lésbica, mas para as mulheres como um todo”, diz Monica. “É importante que a gente demande sempre que ser lésbica não é uma doença, e o estupro corretivo é crime”, enfatiza.

A vereadora contou que recebe ameaças desde 2018, quando se tornou nacionalmente conhecida em função da morte de Marielle, mas esta foi a primeira vez que recebeu mensagem com esse teor de agressividade.

A Polícia Civil tentará identificar de qual computador partiu a mensagem, e quem foi o autor. A princípio, os crimes investigados são racismo, ameaça, intolerância e violência política de gênero.

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