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Pesquisa mostra que comunicação de baleias é mais parecida com a humana do que se pensava

Espécie se comunica por meio de codas, que consistem em uma sequência de sons, como cliques

Foto do author Ramana Rech
Por Ramana Rech

Pesquisadores conseguiram confirmar que a comunicação entre baleias é mais complexa do que se pensava e inclui combinações que se aproximam dos mecanismos utilizados pelos seres humanos.

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As cachalotes se comunicam por meio de codas, que consistem em uma sequência de sons, como uma espécie de cliques. Eles trocam esses sinais durante socialização ou mergulhos longos e profundos.

Diferentes repertórios de codas têm sido utilizados para definir fronteiras culturais entre clãs segregados de baleias, mas simpáticos uns aos outros. Há 150 tipos diferentes de codas, sendo 21 no Caribe.

Pesquisadores descobriram que, a partir de quatro características, as cachalotes têm formas de se comunicar bastante complexas Foto: MIT News

Até o momento, cientistas descreviam a comunicação de baleias como um sistema limitado e definido apenas pela sequência de intervalos dos cliques.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachsetts (MIT) e do Projeto Iniciativa de Tradução dos Cetáceos (CETI, da sigla em inglês) ficaram desconfiados da suposta simplicidade de um sistema de comunicação em animais com tantas complexidades sociais e comportamentais.

Para compreender melhor a comunicação das baleias, os pesquisadores utilizaram algoritmos a partir de machine learning para decodificar o alfabeto de fonemas das cachalotes (Physeter macrocephalus). Eles analisaram 9 mil codas coletadas de cachalotes do Caribe. Os resultados foram publicados nesta semana na revista Nature Communications.

Os cientistas mostraram que a comunicação entre as cachalotes depende de quatro características: tempo, ritmo, ornamentação e rubato. As cachalotes modulavam alguns aspectos de sua coda a depender do contexto.

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Elas poderiam variar a duração das codas durante uma sequência delas (rubato) ou mesmo adicionar cliques extras que não fazem parte do padrão (ornamentação). As duas variáveis se combinam com o tempo e o ritmo, que não dependem de contexto. O tempo é a duração da coda. Já o ritmo é definido pelo padrão de sequência entre cliques.

De acordo com o estudo, a combinação entre os quatro elementos ocorre de forma proposital e não por acidente. “Ritmo, tempo, rubato e ornamentação podem ser livremente combinados, permitindo às baleias sintetizar sistematicamente um repertório enorme de codas distinguíveis”, diz o artigo.

Leia o estudo completo na revista Nature Communications.

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