Harari: "Temos um menu inteiro para a humanidade destruir a si mesma"
Yuval Harari falou sobre humanidade, confiança e algoritmos, em evento privado para lançamento da SP2B, evento de inovação previsto para agosto de 2026. Crédito: Alice Ferraz
Um dos maiores pensadores contemporâneos, Yuval Noah Harari — autor do best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade — esteve em São Paulo neste domingo para anunciar sua participação no evento de negócios, inovação e criatividade SP2B — São Paulo Beyond Business, que acontecerá em 2026 na capital paulista.
Antes de subir ao palco, Harari reuniu-se com um pequeno grupo para uma conversa informal, onde a coluna teve a oportunidade de fazer uma pergunta exclusiva:
Alice Ferraz: Seus livros falam de diversas possibilidades que podem levar à destruição da humanidade. Então, como podemos salvá-la?
Yuval Harari: Nós nos tornamos a espécie dominante no planeta não por sermos os mais fortes ou os mais inteligentes individualmente, mas porque conseguimos colaborar em grande escala. Essa habilidade nos trouxe até aqui. No entanto, estamos vivendo um momento perigoso: estamos perdendo a confiança no ser humano — e depositando essa confiança nos algoritmos. As pessoas acreditam que um humano pode manipulá-las ou mentir, enquanto o algoritmo, supostamente, é neutro. Isso é preocupante. Se eu pudesse dar um conselho aos líderes mundiais, seria: reconstruam a confiança nas relações humanas.
Estamos entrando em uma nova fase de um mundo caótico e altamente competitivo. Líderes como o presidente Donald Trump enxergam o planeta como uma coleção de fortalezas isoladas — cada país separado por muros militares, financeiros e culturais cada vez mais altos.
Mas há um problema com essa visão: a história milenar da humanidade nos mostra que, na ausência de valores universais, leis internacionais e instituições globais fortes, essas fortalezas não têm como resolver suas disputas. E quando isso acontece, o desfecho é quase sempre o mesmo: uma sequência interminável de guerras, onde os mais poderosos conquistam os mais frágeis.






