Na estreia de Livros Restantes, seu novo longa dirigido por Marcia Paraiso, que estreia dia 11 de dezembro, Denise Fraga vive uma mulher 50+ prestes a recomeçar a vida. Ela fala à Coluna sobre set feminino, livros marcantes, o protagonismo de sua geração e a travessia da menopausa.

Alice: Como foi trabalhar em uma equipe majoritariamente feminina?
Denise: Colocar uma equipe só de mulheres é um ato político. Sinto que diretoras mulheres têm outra atenção ao detalhe. Somos mais filigranadas — e o cinema é a arte do detalhe. Estar num set assim fez diferença pra mim.
A: Quais dois livros marcaram sua vida — e por quê?
D: Uma edição de 30 contos, do Machado de Assis, que escancara nossa hipocrisia social. E O Filho de Mil Homens, do Valter Hugo Mãe — chorei de soluçar lendo. Tenho lido também Sidarta Ribeiro, bell hooks e Wislawa Szymborska. Me lembram que ninguém está sozinho.
A: A geração de atrizes 60+ está redefinindo o que é ter 60 anos?
D: Sim. As mulheres estão mais protagonistas das suas vidas. Antes esperavam que aos 60 você estivesse aposentando; hoje estamos indo para a balada com os filhos. Estou com duas peças e dois filmes nos quais digo o que quero dizer. Não é só interpretar um personagem — é ter uma voz. Isso me dá uma alegria enorme.
A: Fazer 50, assim como sua personagem, te trouxe vontade de mudar de vida?
D: Me fez sentir que era o primeiro ano do resto da minha vida. Não é exatamente mudar de vida como a protagonista, mas a vida é uma jornada muito rica e, para aproveitar, temos que ter certas estratégias de alegria. Quero aproveitar o tempo que tenho. Agora e já.





