
Nilton Bonder lançou em São Paulo nesta semana novo livro com um alerta sutil, mas potente: estamos perdendo o direito ao devaneio. Em Vapor dos vapores, Dicionário de Pensares, o rabino e escritor propõe uma espécie de “cofre do apocalipse” para o pensamento humano – inspirado no famoso banco de sementes Svalbard, na Noruega.
A ideia é simples e poética: preservar o pensar despretensioso, orgânico e livre de função, que, segundo ele, está sendo sufocado pela lógica racional e pelas inteligências artificiais.
O nome da obra vem do livro de Eclesiastes, onde o rei Salomão “evocava a brevidade e o caráter passageiro da existência”. Bonder explica que o pensamento se divide entre vaporosos sem função e racionais com uma finalidade, mas “o pensamento tem caminhado para a singularidade – e para a perda dos pensares, sem propósito, que nascem do tempo ocioso da consciência”.
O livro se apresenta como um banco de “sementes mentais”, composto de verbetes-pensamentos, que transitam entre a prosa e a poesia, entre o devaneio e a narrativa.





