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Gucci inicia nova era criativa com evento cinematográfico em Milão

A estreia do diretor criativo Demna Gvasalia foi marcada por curta estrelado por Demi Moore

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Foto do autor Alice Ferraz

A Gucci voltou aos holofotes nesta semana com a estreia de Demna Gvasalia na direção criativa. O georgiano, que passou quase uma década à frente da grife Balenciaga, apresentou sua primeira coleção para a casa italiana no último dia 23, durante a Semana de Moda de Milão, em clima de première de cinema. A chegada de Demna ocorre após a saída do italiano Sabato De Sarno, em fevereiro, e em meio a um cenário desafiador: a Kering, holding de luxo que detém o controle da marca, reportou queda de 25% nas vendas no segundo trimestre de 2025, em base comparável.

Gucci inicia nova era criativa com evento cinematográfico em Milão

Crédito: Coluna Alice Ferraz

Ao invés de passarela, a apresentação se deu por meio do curta-metragem The Tiger, com cerca de 30 minutos de duração, exibido no Palazzo Mezzanotte — construção histórica de Milão. Modelos e celebridades como a atriz Gwyneth Paltrow e a tenista Serena Williams vestiram a coleção e transformaram a entrada do edifício em passarela, uma extensão da tela que reforçou o impacto da estreia.

O curta tem atmosfera de drama familiar, permeada por ironia e surrealismo. Dirigido por Spike Jonze (Her, 2013) e Halina Reijn (Bodies Bodies Bodies, 2022), funciona como palco para a “nova” Gucci. Demi Moore interpreta Barbara Gucci, matriarca fictícia que luta para controlar a família e a imagem da marca. O elenco inclui Edward Norton, Ed Harris, Elliot Page e Keke Palmer, além das participações de Kendall Jenner e Alex Consani.

L’Archetipo, baú monogramado que abre a coleção e remete às origens da maison em 1921 pelas mãos de Guccio Gucci. Foto: Divulgação/Gucci

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Na narrativa da coleção em si, os próprios looks são personagens. Chamada La Famiglia, foi construída a partir de arquétipos que traduzem a “Gucciness” sob o olhar do novo diretor, conceito central da estreia. Entre eles, destacam-se o L’Archetipo, baú monogramado que abre a coleção e remete às origens da maison em 1921 pelas mãos de Guccio Gucci; a explosiva Incazzata, em casaco vermelho; a femme fatale La Cattiva; e figuras aristocráticas como La Mecenate, a bordo do vestido dourado escolhido por Demi Moore para a première, e La Contessa, em vestido longo estruturado bordado com motivos florais.

As peças transitam entre drama e sensualidade. Casacos de plumas, transparências, bordados e couro criam uma família simbólica, em que o menswear se mostra mais ousado que o feminino: camisas abertas, moda praia e sungas em versão black tie. Códigos históricos retornam reimaginados, como a bolsa Bamboo 1947, o mocassim Horsebit e a estampa Flora em vestidos noturnos. Já o monograma GG ganha destaque em propostas que vão dos pés à cabeça.

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As peças transitam entre drama e sensualidade. Foto: Divulgação/Gucci

La Famiglia marca a entrada de Demna na Gucci como gesto de continuidade e ruptura. Mais do que roupas, é uma ficção estética: um clã de personagens, um inventário de ícones revisitados e um retorno ao storytelling como linguagem da marca. A primeira coleção não foi um desfile, mas uma mitologia — o prólogo de uma era que terá seu primeiro desfile em fevereiro.