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Edmilson Filho ainda quer fazer você rir, mas desta vez de outro jeito

Ator estrela ‘Férias Trocadas’ em dose dupla, ao interpretar um personagem cearense e outro paulistano: ‘Quero equilibrar a comédia e mostrar um novo lado ao público’

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Foto do author Matheus Mans
Por Matheus Mans

O cearense Edmilson Filho é, hoje, um dos principais nomes da comédia no Brasil. Desde seu primeiro papel no curta-metragem Cine Holiúdy: O Astista Contra o Cabra do Mal, o ator conseguiu se consolidar como esse comediante cearense, de uma nova geração após Chico Anysio e Renato Aragão, que atrai o público às salas de cinema – só ver os números de alguns de seus sucessos, como Cine Holliúdy, com quase 500 mil espectadores.

Agora, ele experimenta um caminho diferente no novo Férias Trocadas, em cartaz nos cinemas. Aqui, ele interpreta dois personagens: o Zé, que é o cearense que estamos acostumados a ver na pele de Edmilson; e Edu, um paulistano endinheirado. Os dois são confundidos no aeroporto e acabam, como o próprio título diz, trocando as férias – Zé vai para um hotel de luxo, Edu para uma cabana.

O desafio de fazer dois personagens, incluindo um que foge da zona de conforto de Edmilson, veio do próprio ator. “Primeiro, fui chamado para fazer o Zé. Aí comecei a pensar se não daria para fazer o Edu. Queria o equilíbrio da comédia dos dois”, comenta o ator ao Estadão. “É um desafio sair desse personagem cearense, nordestino. O Zé é o Edmilson normal, enquanto o Edu é um Edmilson que o público ainda não tinha visto.”

Edmilson e o público

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Público, aliás, é o que norteia o trabalho de Edmilson. Ele, que começou sua vida como lutador de artes marciais, viajando o mundo para competições de Kung Fu e Tae-kwon-do, encontrou no cinema seu espaço máximo de criação. Em Férias Trocadas, por exemplo, o cearense participou ativamente da criação de roteiro – tinha ideias e passava aos roteiristas, que tinham a responsabilidade de colocar as ideias de Edmilson no papel.

“Quase sempre participo do processo de criação do filme. O roteiro de Férias Trocadas, quando chegou, era completamente diferente do que está aí hoje”, explica Edmilson. O final do longa, que é dirigido por Bruno Barreto (Dona Flor e Seus Dois Maridos, Crô), envolve uma competição de dança, uma ideia que veio totalmente de Edmilson.

Edmilson Filho com Carol castro em 'Férias Trocadas'. Foto: Tico Angulo/Divulgação

Ele, que hoje mora em Los Angeles, conta que se dedica de corpo e alma ao filme que está fazendo no momento – e nunca pensando em novas possibilidades. “Como me considero um cara de cinema, não estou filmando e pensando no próximo filme. Eu saio de casa, em Los Angeles, onde moro há muitos anos, e tiro seis meses da minha vida para fazer o filme. Não faço trabalhos paralelos, peças de teatro. Nada. Fico direcionado para o filme”, conta ele.

Segundo ele, quando está fazendo um filme, está pensando exatamente no público que o acompanha. E nada mais. “Cada história traz possibilidades diferentes e o público, na maioria das vezes, quer ver o Edmilson no cinema, quer ver qual a outra faceta, a outra luta”, explica o cearense. “Eu nunca fiz novela. Fiz uma série por acaso. Quero fazer cinema para o resto da minha vida e o público vai sempre me ver de uma forma diferente”.

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Filmes para um público que sabe o que pode esperar

Durante a coletiva de imprensa, antes da entrevista que concedeu ao Estadão, Edmilson Filho tomou um minuto para si para falar de algo que parecia estar engasgado há algum tempo. Pediu, direto ao ponto, para que a imprensa parasse de ficar chamando os seus filmes de estereotipados, cheios de clichês e coisas do tipo. Que buscassem outras coisas.

Questionado, ele explica o porquê desse pedido. “Os filmes que faço são para o público e o público quer se divertir com o Edmilson”, explica. “É claro que os críticos de cinema, os produtores, os estúdios vão ver o filme com outros olhos. Mas o público quer ver aquilo”.

Edmilson Filho, Klara Castanho e Aline Campos em 'Férias Trocadas'. Foto: Tico Angulo/Divulgação

Não à toa, Edmilson, seguindo o caminho contrário de muitos atores que repetem várias e várias vezes personagens similares, diz não ter medo de ficar marcado por um único papel – segundo ele, se é isso que o público quer ver na tela do cinema, não tem problema.

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“Às vezes me perguntam se vou fazer para sempre esse tipo de personagem. Falo que, se der tudo certo, faço para a vida toda e tudo bem. Chaplin fez o mesmo personagem a vida toda e é o maior personagem de todos os tempos. Eu não posso fazer esse mesmo tipo de personagem?”, questiona. Ele até pensa em fazer dramas, thriller e outros gêneros que não sejam a comédia – só dispensa, veementemente, a possibilidade de fazer uma novela.

Seu compromisso continua sendo com o que ama fazer: o cinema. “No fim do dia, quero sempre falar de cinema. Quero participar da criação do roteiro, da ideia original. Se puder, também da produção”, diz. “Vejo o cinema como um conjunto de histórias que acredito”.

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