Morre Louis Gossett Jr, primeiro homem negro a vencer Oscar de melhor ator coadjuvante

Ator morreu na noite de quinta-feira, aos 87 anos; causa de morte não foi revelada

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Por Beth Harris (Associated Press)
Atualização:

LOS ANGELES (AP) – Louis Gossett Jr., o primeiro homem negro a ganhar um Oscar de ator coadjuvante e um Emmy por seu papel na minissérie de TV Roots, morreu aos 87 anos.

O sobrinho de Gossett disse à Associated Press que o ator morreu na noite de quinta-feira em Santa Monica, Califórnia. Nenhuma causa de morte foi revelada.

Louis Gossett Jr. Foto: Amy Sussman/Invision/AP

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Gossett sempre pensou em seu início de carreira como uma história tipo ‘Cinderela ao contrário’, com o sucesso encontrando-o desde cedo e impulsionando-o para frente, rumo ao Oscar por A Força do Destino (1982).

Ele ganhou seu primeiro crédito como ator na produção de Do Mundo Nada Se Leva (1938) em sua escola no Brooklyn, enquanto estava afastado do time de basquete devido a uma lesão.

“Fiquei fisgado - e meu público também”, escreveu ele em seu livro de memórias de 2010, An Actor and a Gentleman.

“Eu sabia muito pouco para ficar nervoso”, escreveu Gossett. “Em retrospecto, eu deveria ter morrido de medo ao subir naquele palco, mas não estava.”

Gossett frequentou a Universidade de Nova York com uma bolsa de basquete e teatro. Ele logo esteve presente e cantando em programas de TV apresentados por David Susskind, Ed Sullivan, Red Buttons, Merv Griffin, Jack Paar e Steve Allen.

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Gossett tornou-se amigo de James Dean e trabalhou com Marilyn Monroe, Martin Landau e Steve McQueen em uma ramificação do Actors Studio ministrado por Frank Silvera.

Gossett foi a Hollywood pela primeira vez em 1961 para fazer a versão cinematográfica de O Sol Tornará a Brilhar. Ele tinha lembranças amargas daquela viagem, ficando em um motel infestado de baratas que era um dos poucos lugares que permitiam pessoas negras.

Ele fundou a Eracism Foundation para ajudar a criar um mundo onde o racismo não exista.

Gossett fez uma série de participações especiais em programas como Bonanza, The Rockford Files, The Mod Squad, McCloud e uma participação memorável com Richard Pryor em The Partridge Family.

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Em agosto de 1969, Gossett estava festejando com membros do Mamas and the Papas quando foram convidados para a casa da atriz Sharon Tate. Ele foi para casa primeiro para tomar banho e trocar de roupa. Quando se preparava para sair, ele viu uma notícia na TV sobre o assassinato de Tate. Ela e outras pessoas foram mortas por associados de Charles Manson naquela noite.

“Tinha que haver uma razão para eu escapar dessa bala”, escreveu ele.

Louis Cameron Gossett nasceu em 27 de maio de 1936, no bairro de Coney Island, no Brooklyn, Nova York, filho de Louis Sr., porteiro, e Hellen, enfermeira. Mais tarde, ele adicionou Jr. ao seu nome para homenagear seu pai.

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Gossett apareceu na telinha como Fiddler na minissérie inovadora de 1977, Roots, que retratava as atrocidades da escravidão na TV. O amplo elenco incluía Ben Vereen, LeVar Burton e John Amos.

Gossett se tornou o terceiro negro indicado ao Oscar na categoria de ator coadjuvante em 1983. Ele ganhou por sua atuação como o intimidante instrutor da Marinha em A Força do Destino, ao lado de Richard Gere e Debra Winger. Ele também ganhou um Globo de Ouro pelo mesmo papel.

“Mais do que tudo, foi uma grande afirmação da minha posição como ator negro”, escreveu ele em suas memórias.

“O Oscar me deu a capacidade de escolher bons papéis em filmes como Inimigo meu, Sadat e Águia de Aço”, disse Gossett no livro de 2024 de Dave Karger, 50 Oscar Nights (50 noites do Oscar, em tradução literal).

Ele disse que sua estatueta estava guardada.

“Vou doá-la para uma biblioteca para não ter que ficar de olho nela”, disse ele no livro. “Eu preciso me livrar disso.”

Gossett apareceu em filmes de TV como The Story of Satchel Paige, Backstairs at the White House, The Josephine Baker Story, pelo qual ganhou outro Globo de Ouro, e Roots Revisited.

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Mas ele disse que ganhar um Oscar não mudou o fato de que todos os seus papéis eram coadjuvantes.

Ele interpretou um patriarca obstinado no remake de 2023 de A Cor Púrpura.

Gossett lutou contra o vício em álcool e cocaína durante anos após sua vitória no Oscar. Ele foi para a reabilitação, onde foi diagnosticado com síndrome do mofo tóxico, que atribuiu à sua casa em Malibu.

Em 2010, Gossett anunciou que tinha câncer de próstata, que ele disse ter sido detectado nos estágios iniciais. Em 2020, ele foi hospitalizado com covid-19.

Ele deixa os filhos Satie, produtor-diretor fruto de seu segundo casamento, e Sharron, que ele adotou após ver o menino de 7 anos em um segmento de TV sobre crianças em situações desesperadoras. Seu primo é o ator Robert Gossett.

O primeiro casamento de Gossett com Hattie Glascoe foi anulado. O segundo, com Christina Mangosing, terminou em divórcio em 1975, assim como o terceiro, com Cyndi James-Reese, em 1992.

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