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‘Os Mercenários 4’ é história mais fraca da franquia, apesar dos músculos de Stallone; leia crítica

Nem mesmo a força de Stallone e Statham e as explosões inacreditáveis fazem com que o filme se salve de um roteiro desastroso. Longa tem cara mofada, como se fosse o conteúdo de uma fita VHS empoeirada

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Foto do author Matheus Mans
Por Matheus Mans

Enquanto Os Mercenários 4 rolava nas telas, peguei-me pensando se não tinha entrado em uma cápsula do tempo diretamente para o final dos anos 1980. O motivo não é nem exatamente a presença de Sylvester Stallone e Dolph Lundgren no filme, que estreia nesta quinta-feira, 21, mas sim o estilo de história que é contada ao longo de 100 minutos.

Inacreditável quarto capítulo de uma franquia que começou em 2010, e que já teve em seu elenco nomes como Harrison Ford, Mickey Rourke, Van Damme, Bruce Willis, Schwarzenegger e até Chuck Norris, Os Mercenários 4, de alguma forma, tenta retornar às origens. Um elenco menos pomposo, em comparação com segundo e terceiro capítulos, e um foco em personagens que estão lá desde o início e que não pegaram o bonde andando.

Sylvester Stallone em cena de 'Os Mercenários 4'. Foto: Lionsgate via AP

Uma trama explosiva e implodida

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A trama, que é uma verdadeira salada geográfica, mostra o grupo liderado por Barney (Stallone) indo até a Ásia impedir que um novo vilão (Iko Uwais) conquiste artefatos que podem destruir a humanidade. Só que as coisas dão errado e Christmas (Statham) precisa dar um jeito de impedir que uma Terceira Guerra Mundial se torne realidade.

Scott Waugh, o novo diretor, lembrado por trabalhos em Ato de Coragem e Need for Speed, parece estar fazendo o filme apenas por alguma obrigação contratual. Com um roteiro igualmente desanimado de Kurt Wimmer (O Vingador do Futuro), Tad Daggerhart (Black Lotus) e Max Adams (Carga Preciosa), fica a sensação que não há desejo de construir um verdadeiro filme aqui, mas apenas uma colagem de cenas para agradar o público geral.

São explosões sequenciais, que fariam Michael Bay corar, a partir de efeitos digitais sem vida. Statham é o único que tenta fazer algo a mais com seu personagem, enquanto Megan Fox aposta em caras e bocas, Dolph Lundgren tem uma cena constrangedora envolvendo bebidas e Andy Garcia (quem lembra dele na saga?) acha que apenas o uso constante de palitos de dente faz com que seu personagem se torne mais complexo e ganhe camadas.

Pior: enquanto os outros filmes são engraçados, principalmente o primeiro e o segundo, este perde toda a verve de comédia da trama. Sem os músculos saltitantes de Terry Crews ou o poder bélico de Norris, resta aos roteiristas piadas machistas e que já não encontram vínculo com o público do cinema de ação dos anos 2020. A personagem de Fox, por exemplo, é o estereótipo absoluto da mulher - e ainda querem um spin-off com mulheres.

Não dá. Se o filme quer se reinventar, dando mais protagonismo para Statham (que sabe usar o humor na ação, como vimos em Megatubarão 2), é preciso ter uma história e uma direção que acompanhem. Se só um faz o trabalho de se reinventar, nada muda e o filme fica com essa cara mofada, como se fosse o conteúdo de uma fita VHS empoeirada.

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