ESTOCOLMO, SUÉCIA - Depois de a sul-coreana Han Kang se tornar a primeira mulher asiática a vencer o Prêmio Nobel de Literatura em 2024, os especialistas preveem que um “homem branco” europeu ou anglo-saxão será eleito este ano.
Entre os nomes mais citados figuram o suíço Christian Kracht, os húngaros Laszlo Krasznahorkai e Peter Nadas, e o romeno Mircea Cartarescu, antes do esperado anúncio da Academia Sueca na quinta-feira, 9.

Kracht, de 58 anos e que escreve em alemão sobre cultura popular e consumismo, é um favorito em círculos literários, comentou à AFP Bjorn Wiman, editor cultural do jornal sueco Dagens Nyheter.
Na Feira do Livro de Gotemburgo deste ano, “muitos membros da Academia Sueca estavam lá na primeira fila durante o seu evento”, contou Wiman.
“Isso costuma ser um sinal seguro”, comentou, acrescentando que o mesmo ocorreu quando a dramaturga austríaca Elfriede Jelinek foi laureada em 2004.
Depois de Han Kang no ano passado, Wiman pensa que este ano o prêmio “irá para um homem branco do mundo de língua anglo-saxã, alemã ou francesa”.
A espera latino-americana
Outros frequentemente mencionados são o poeta chileno Raúl Zurita, o romancista e ensaísta argentino César Aira, assim como a canadense Anne Carson e o indiano Amitav Ghosh.
O último latino-americano laureado com o Nobel de literatura foi o peruano Mario Vargas Llosa em 2010 e poderia ser tempo de voltar os olhos para esta região, comentou à AFP Lina Kalmteg, crítica cultural da rede pública Sveriges Radio.
Ela citou como possível vencedora a mexicana Cristina Rivera Garza, uma romancista e ensaísta que em 2024 recebeu o Prêmio Pulitzer na categoria de memória e autobiografia.
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A Academia Sueca tende a destacar autores relativamente desconhecidos para o público mundial.
Entre outros possíveis premiados para este ano costumam ser citados os australianos Gerald Murnane e Alexis Wright, um aborígene.
No caso de Murnane, “a pergunta é se ele atenderá o telefone (quando a Academia ligar), não sei se ele tem um”, brincou Josefin de Gregorio, crítica literária do jornal sueco SvD.
“Ele nunca saiu da Austrália. Vive no campo e não costuma ser muito acessível”, acrescentou sobre Murnane, seu autor favorito.
De Gregorio comentou que também ficaria feliz em ver o prêmio nas mãos do contista estadunidense George Saunders.
Desde 1901, quando foi concedido pela primeira vez, o Nobel de literatura tem sido dominado por homens ocidentais.
Apenas 18 mulheres figuram entre os 121 laureados, e muito poucos têm obras escritas em línguas asiáticas ou do Oriente Médio. Nenhuma língua africana foi reconhecida.
Impensáveis
É difícil prever como votarão os 18 membros da Academia Sueca, dado que não há uma lista pública de aspirantes e as deliberações do comitê permanecem seladas por 50 anos.
O escândalo #MeToo em 2018 atingiu a Academia, com mais da metade de seus membros substituídos.
A instituição prometeu ampliar o prêmio, tanto geográfica quanto linguisticamente, e desde então tem havido mais equilíbrio de género entre os laureados.
Metade dos vencedores desde 2018 têm sido mulheres.

“Autores como Han Kang teriam sido impensáveis há cinco ou seis anos”, defendeu Wiman, ao recordar que a Academia anteriormente costumava honrar homens mais velhos, e ela tinha apenas 53 anos quando ganhou.
Pode-se dizer que a “nova” Academia é menos elitista?
Só o tempo o dirá, e por enquanto reina a especulação. O vencedor de 2025 será anunciado na quinta-feira às 13h (11h GMT).
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