Entramos na biblioteca do PROFESSOR HOC: livros de GUERRA, estratégia, 'STAR WARS' e jiu-jítsu
Como compreender o mundo em tempos de tensão global? A biblioteca pessoal do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC, tenta dar algumas pistas.
Gerando resumo
Como compreender o mundo em tempos de tensão global? A biblioteca pessoal do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC, tenta dar algumas pistas, com clássicos sobre geopolítica, filosofia e estratégia militar. “Gosto de entender as estruturas de pensamento. Não consigo ler coisas mais leves, de entretenimento. Sei que é possível tirar lições de histórias ficcionais, mas eu sinto que poderia usar essa energia para ler algo em que eu vou aprender mais diretamente”, ele argumenta.
É fato que praticamente não há ficções no acervo de Cukier, que o Estadão explorou em mais um episódio da série Coleção de Livros. Mas sempre há a exceção que confirma a regra. “Sou muito fã de Star Wars”, confessa o professor, enquanto folheia Star Wars: The Blueprints, um volume de capa dura com mais de 500 ilustrações, fotografias e plantas das naves e cenários da saga.
O livro é um dos que está em destaque na estante, que se estende do piso ao teto na sala da casa. Outras obras que ganharam um espaço especial, e que expõem traços da personalidade de Cukier são Gracie Jiu Jitsu, do mestre de jiu-jítsu Helio Gracie, e um exemplar da Torá. “Sou judeu e gosto de consultar livros mais filosóficos ligados com religião.”
O conceito de estratégia. Do grego, strateegia
Especialista em geopolítica, Cukier divide os módulos da estante por temas. Há prateleiras específicas, por exemplo, para estratégia militar, espionagem, guerras históricas, Oriente Médio, manuais de sobrevivência, teoria política e dicionários. A maior parte deles em inglês. “Estudei fora e já estou acostumado que, infelizmente, a maior parte da bibliografia que eu estudo não tem edições em português.”
Ao longo do tour pelo espaço, o professor destaca algumas leituras marcantes.
- ‘U.S. Army Counterinsurgency Handbook’: é o Manual de Contrainsurgência do Exército Americano (em tradução livre). Foi reescrito após as guerras do Iraque e Afeganistão pelo ex-diretor da CIA David Patreaus. “Ele tinha todas as credenciais para ser presidente dos Estados Unidos”, opina Cukier. Patreaus acabou envolvido num escândalo de vazamentos de e-mail de uma suposta amante, o que levou à sua queda do cargo.
- ‘The Making of Strategy: Rulers, States, and War’, de Williamson Murray, Alvin Bernstein e MacGregor Knox: clássico da estratégia, aborda diferentes conflitos ao longo da história. Da guerra do Peloponeso aos conflitos envolvendo países como Rússia e Israel, já no século 20.
- ‘War of Necessity, War of Choice’, de Richard Haass: no livro, segundo Cukier, o autor Richard Haass faz uma boa distinção sobre as guerras necessárias e as guerras por opção. “E ele usa justamente Afeganistão e Iraque como exemplos. No Afeganistão, era necessário, porque os EUA foram atacados. No Iraque, foi uma escolha.”
- ‘Diplomacia’, de Henry Kissinger: a obra, com versão em português, foi escrita pelo ex-secretário de Estado dos EUA. “Qualquer pessoa que queira estudar política internacional precisa ler”, diz Cukier.
Se você tem uma biblioteca grande, nunca vai conseguir ler tudo. Sócrates já nos ensinou: ‘só sei que nada sei’. O tamanho da biblioteca é um parâmetro da sua curiosidade. Mas não vai dar para você se aprofundar em todos os temas."
Heni Ozi Cukier
E o Brasil?
Apesar da reverência aos autores estrangeiros, o cientista político também não deixa de lado os problemas do próprio país. “Eu adoro os livros do Roberto DaMatta, acho incríveis as análises que ele faz sobre a nossa cultura, o jeitinho brasileiro.”
Do escritor, Cukier destaca Carnavais, Malandros e Heróis (1983) e Fé em Deus e pé na tábua: Ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil (2010). Também estão em suas estantes clássicos como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre.
Em uma prateleira mais alta, e com auxílio de uma escada móvel, Cukier esbarra com outra coletânea que considera um importante acervo recente do País: os Diários da Presidência, de Fernando Henrique Cardoso, obra em quatro volumes (um para cada biênio dos dois mandatos do ex-presidente). “Ele tinha uma capacidade de registro e sabia como documentar. É um arquivo muito rico.”
‘Não pretendo voltar à política’
O interesse por política levou o Professor HOC a uma candidatura a deputado estadual em São Paulo em 2018 pelo Partido Novo. Eleito, ele ocupou o cargo por quatro anos e migrou para o Podemos durante o mandato. Em 2022, concorreu a deputado federal, recebeu 98 mil votos, mas não se elegeu.
A experiência, seja na Assembleia ou Câmara, não é algo que pretende repetir. “A política no Brasil é uma atividade sensacionalista, teatral. E não é o político que é assim. O eleitor gosta disso, de tratar a política com paixão, com adoração, com idolatria”, ele avalia.
De lá para cá, Cukier intensificou sua atuação nas redes sociais, em especial o YouTube, onde acumula mais de 1,7 milhão de inscritos e publica vídeos sobre geopolítica: das decisões do governo Trump aos conflitos no Oriente Médio. Ele também lançou em 2019 o livro Inteligência do Carisma, pela editora Planeta.




