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Assinatura, tipo de tinta e até IA: perito diz como é feita avaliação de obras de Tarsila do Amaral

Em evento idealizado por Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da artista e atual gestora da Tarsila S/A, especialista compartilhou aprendizados da análise das obras

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Foto do autor Alice Ferraz
Foto do autor Mariana Gonzalez

Curadores e colecionadores de arte participaram, na semana passada, de uma conferência na Casa das Rosas, organizada pela gestora da Tarsila do Amaral S/A, Paola Montenegro, sobre a metodologia de verificação das obras da artista modernista.

Paola Montenegro é a atual gestora da Tarsila do Amaral S/A.  Foto: Colagem de Thais Barroco sobre fotos de Romuldo Fialdini/Divulgação, Felipe Berndt, Acervo Estadão e Divulgação

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Segundo a sobrinha-bisneta de Tarsila, a empresa de licenciamento da marca da artista recebeu, desde 2021, mais de uma centena de pedidos de avaliação da autenticidade de obras que supostamente seriam de sua autoria. “Há uma demanda reprimida por validação de autenticidade. Por isso, começamos a organizar este processo”, disse a gestora, à Coluna.

Os métodos e fontes utilizadas no processo de certificação – provavelmente o mais moderno entre artistas brasileiros – incluem estudo de literatura, análise estética comparada com dezenas de obras, grafotécnica científica, leitura da ordem de colocação das tintas e até inteligência artificial.

A própria artista também ajuda neste processo: ela deixou um “caderno de receitas” em que anotava todos os seus materiais usados nas obras como tecidos e pincéis, incluindo datas e fornecedores utilizados.

Douglas Quintale, presidente do comitê de autenticação Tarsila S.A, disse à Coluna que a execução e os aprendizados da perícia das obras devem ser totalmente transparentes. “Tudo que aprendemos no caminho pertence à cultura e à história da arte brasileira”, finaliza.

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Foco em licenciamentos

Desde que assumiu a gestão da Tarsila S/A, Paola Montenegro tem se dedicado, também, a licenciamentos das obras para marcas diversas. Nos últimos dois anos, o trabalho de Tarsila passou a estampar objetos de papelaria, de decoração e de moda, como peças de roupa, lenços e joias. Também estão na lista livros infantis para colorir algumas de suas obras mais famosas, como Abaporu e A Feira.

“Quero que a Tarsila seja parte do cotidiano, não apenas em museus, e que as pessoas sintam orgulho de carregar um objeto com uma obra dela”, fala Paola Montenegro. “Isso faz parte de um grande objetivo: mostrar que Tarsila é do povo brasileiro e faz parte de todos nós”.

Para o ano que vem, que marca os 140 do nascimento da artista, a Tarsila S/A planeja lançar alguns licenciamentos de obras voltados para falar de seu legado para crianças e jovens. A empresa também planeja criar parcerias para discutir o trabalho de Tarsila com estudantes de escolas públicas.