
Celebrada por seu talento excepcional e audácia, Elis Regina é uma das cantoras mais celebradas da música brasileira até hoje. Nesta segunda-feira, 17, dia em que a artista completaria 80 anos de idade, o Estadão relembra sua trajetória.
Filha de Romeu e Ercy, Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre em 17 de março de 1945. Durante a infância, ela já demonstrava aptidão com a música, aprendendo canções que eram transmitidas pelo rádio, especialmente aquelas interpretadas por artistas como Cauby Peixoto e Angela Maria.
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Primeiro álbum
Aos sete anos, Elis foi levada por sua mãe à Rádio Farroupilha para participar de um programa chamado Clube do Guri, mas ficou tão nervosa que pediu para voltar para casa. Somente aos doze anos, em 1957, ela conseguiu cantar no programa.

Aos 13 anos, Elis foi contratada pela Rádio Gaúcha para cantar - e com direito a salário. Seu primeiro álbum, Viva a Brotolândia, lançado em 1961 pela gravadora Continental, não teve muito sucesso, pois a empresa queria uma versão de Celly Campello, uma cantora concorrente, frustrando a jovem.
Mudança para o Rio e São Paulo
Em 1964, Elis decidiu que se mudaria para o Rio de Janeiro para tentar alcançar voos maiores da indústria musical. Rapidamente, ela assinou um contrato com a gravadora Philips, pela qual lançou o disco Samba Eu Canto Assim. Logo depois, se mudou para São Paulo.

Ao chegar em São Paulo, Elis participou do Festival de Música Brasileira, onde cantou Arrastão, composição escrita por Edu Lobo e Vinicius de Moraes, e acabou vencendo o festival. A vitória catapultou a sua carreira, bem como a de Edu.
Dois na Bossa
Em 1965, Elis iniciou suas apresentações no programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues, com quem lançou três discos, Dois na Bossa I, II e III. O álbum de estreia do projeto se tornou o primeiro LP brasileiro a vender mais de 1 milhão de cópias.

No mesmo período, Elis começou a expressar suas discordâncias em relação à Jovem Guarda, cada vez mais popular. Impulsionada pelo clima competitivo, a cantora lançou Elis, trabalho de estúdio considerado por muitos como um dos melhores dos anos 1960.
Elis encerrou os anos 1960 já trilhando uma carreira internacional. Em 1968, ela foi ovacionada no Olympia de Paris e voltou ao palco seis vezes depois do final do show.
Anos 70
Nos anos 70, Elis adotou uma postura mais rebelde e passou a criticar abertamente a ditadura estabelecida no Brasil. Durante uma turnê na Europa, ela fez duras críticas ao regime em uma entrevista, o que resultou em sua marcação pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) como uma opositora do regime.

Em 1972, os militares obrigaram a cantora a apresentar o Hino Nacional durante as Olimpíadas do Exército, o que levou muitos opositores do regime a rotulá-la como uma traidora. Esse episódio fez com que Elis se dedicasse inteiramente à MPB e se engajasse na luta contra a ditadura.
Apesar dos desafios enfrentados, os anos 1970 foram bastante gratificantes para Elis. No início dessa década, a cantora e Tom Jobim gravaram o icônico álbum Elis & Tom, que contou com o dueto de Águas de Março.

Elis participou de movimentos para mudar o país e foi uma voz importante na campanha pela Anistia dos exilados. Aliás, a canção O Bêbado e a Equilibrista tornou-se um símbolo dessa luta.

Morte
Em 18 de janeiro de 1982, Elis Regina e seu namorado discutiram sobre morar juntos. No dia seguinte, Elis ligou para ele, mas parou de responder rapidamente. Preocupado, Samuel MacDowell foi até sua casa e a encontrou desacordada. Dois dias depois, foi revelado que a cantora morreu de overdose, aos 36 anos.

Embora tenha vivido uma vida curta, Elis gravou 31 discos, nos quais eternizou várias músicas da MPB. Entre essas canções memoráveis estão Como Nossos Pais, Fascinação, Aprendendo a Jogar, Alô, Alô, Marciano e Se Eu Quiser Falar Com Deus.





