Ludmilla leva o trap, piseiro e pop para novo disco e diz que ‘Numanice′ revolucionou o pagode

Em entrevista ao Estadão, a cantora, dona, com Ivete Sangalo, do hit do carnaval ‘Macetando’, conta bastidores do disco e celebra maturidade

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Por Bárbara Correa (Estadão)
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Uma semana após o fim do carnaval, Ludmilla promete se manter no topo das músicas mais ouvidas com o aguardado lançamento de Numanice 3. O álbum estreou nas plataformas nesta terça-feira, 20, após o implacável sucesso de Macetando, sua parceria com Ivete Sangalo, que se tornou a faixa mais escutada no Spotify entre os foliões.

Ludmilla na gravação do audiovisual do 'Numanice 3', no Mirante Dona Marta, no Rio de Janeiro Foto: Steff Lima (@stefflima)

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Ludmilla retorna ao seu projeto dois anos depois do lançamento do seu último disco de pagode, que lhe rendeu um Grammy Latino em 2022 e um milhão de streams em menos de 24 horas de lançamento. O álbum ganhou ainda um show histórico no estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, em 2023, com mais de 60 mil pessoas.

A mobilização do projeto dentro e fora do streaming criou altas expectativas em torno do novo álbum. Com 18 novas faixas, Ludmilla mantém a estratégia de trazer canções conhecidas sob uma nova roupagem, mas inova em parceria com nomes iniciantes no mainstream. Tudo isso sob uma única prerrogativa: “Existe o pagode antes e depois do Numanice”, afirma a cantora em entrevista ao Estadão.

A artista visa reposicionar o gênero como tendência no streaming com a estratégia de “trazer um efeito imã para o pagode, chamando artistas diversos para apresentar o gênero para um novo público”.

Em Numanice 3, ela traz nomes que estão em ascensão em diferentes ritmos: como Veigh no trap, Mari Fernandes, no piseiro, e Carol Biazin, no pop, e se mantém fiel às suas raízes em um feat com Belo.

Belo e Ludmilla na gravação do projeto audiovisual de 'Numanice 3', no Mirante Dona Marta, no Rio de Janeiro Foto: Steff Lima (@stefflima)

“São artistas que eu consumo e agregam muito para o disco, porque tem um público completamente diferente. Posso puxar o público pop da Carol, por exemplo, que talvez não estejam emergidos no pagode e vão escutar, porque a artista deles está lá. O Numanice é tipo um efeito imã, que vai puxando as pessoas para o pagode”, explica a cantora.

Outra estratégia posiciona seu projeto para um público mais diverso: trazer para o pagode músicas nacionais e internacionais já conhecidas. No novo disco, a artista integra a conhecida faixa de Ne-Yo, So Sick à sua canção Era Tão Bom - assim como fez em 2021, quando mesclou Te Amar Demais com Best Part, de Daniel Caesar, e, em 2022, quando trouxe Baby, de Justin Bierber, combinado a faixa Por Causa de Você, de Kelly Key.

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Espelho, canção originalmente lançada por Ludmilla em 2019, no disco Hello Mundo, também foi repaginada para o Numanice 3.

A cantora revelou uma curiosidade sobre os bastidores dessa faixa: “Essa música é muito especial, na época que gravei queria dedicar para a Brunna, mas, na hora, não tive coragem, e acabamos só passando por ela. Agora, é toda dedicada para ela”, afirma a artista que, atualmente, está no processo de fertilização in vitro com a mulher e garante que a maioria das músicas é inspirada no relacionamento.

3 perguntas para Ludmilla

Como foi o processo de desenvolvimento criativo do Numanice 3?

Eu ainda estava com o álbum anterior nas ruas e já estava idealizando esse. Vou fazendo músicas e deixando guardadas e, depois, junto todas as melhores canções com a mensagem que quero passar naquele momento e coloco para fora. Minhas inspirações foram meus discos anteriores, quais assuntos eu ainda não tinha falado, melodias diferentes, andamento de BPM, e instrumentos novos, como cuíca, apito e banjo na percussão. Eu também trouxe muito RnB.

Ludmilla na gravação do audiovisual do 'Numanice 3', no Mirante Dona Marta, no Rio de Janeiro Foto: Steff Lima (@stefflima)

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O primeiro disco desse projeto foi lançado em 2020. De lá para cá, quatro anos se passaram. Como você percebe que esse álbum reflete seu momento atual de carreira?

Eu estou muito mais madura com a minha música, porque muitas coisas aconteceram nos bastidores e tive que tomar as rédeas da minha carreira. Agora, tenho mais liberdade de trazer melodias diferentes, mesclar mais músicas, tem outros jeitos de falar sobre amor que me encantam.

Muito se fala sobre as mudanças que você trouxe para as composições de pagode, que já foi um gênero majoritariamente masculino e heteronormativo. O que você acha sobre a representatividade que o Numanice trouxe pro gênero?

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Não penso tanto sobre isso, porque, sinceramente, hoje, temos que viver normalmente. É completamente normal amar outra mulher, construir família com outra mulher e eu só escrevo e canto sobre isso. É assim que eu vivo e o Numanice é reflexo disso.

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