‘The New Look’: Série conta vida de Christian Dior e Coco Chanel na Paris ocupada pelos nazistas

Produção da Apple TV+ retrata ainda outros estilistas como Cristóbal Balenciaga e Pierre Cardin; ao ‘Estadão’, diretor fala sobre como a série pode se conectar com questões atuais

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Foto do author Alice Ferraz
Por Alice Ferraz
Atualização:

A aguardada série histórica The New Look chega nesta quarta, 14, à plataforma de streaming Apple TV+. Ela acompanha, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, as vidas dos célebres estilistas Christian Dior e Gabrielle “Coco” Chanel - fundadores das grandes marcas de luxo que levam seus nomes.

Com os três primeiros episódios já disponíveis, The New Look é assinada pelo roteirista Todd A. Kessler (responsável por produções de grande sucesso como Bloodline, Damages e A Família Soprano) e estrelada por Ben Mendelsohn, vencedor do Emmy e que vive o papel do estilista Christian Dior, e por Juliette Binoche, vencedora do Oscar, como Coco Chanel. O elenco conta ainda com John Malkovich e Glenn Close.

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Já seu enredo chega para instigar e provocar curiosidade em qualquer interessado por moda, e por história. A série é inspirada em fatos reais, foi filmada exclusivamente em Paris, retratada sob a ocupação nazista, e acompanha os estilistas Christian Dior, Coco Chanel, Pierre Balmain, Cristóbal Balenciaga e Pierre Cardin durante estes anos.

Nas imagens da abertura da série, a cena da linha que é passada através de uma agulha mostra o cuidado para produzir uma roupa, Haute Couture, feita a mão pelos melhores especialistas e se torna simbólica da excelência que se mostrará nos dez capítulos - meticulosos quanto à caracterização dos personagens e dos ambientes onde vivem.

Juliette Binoche e Emily Mortimer em 'The New Look', já disponível no Apple TV+. Foto: Apple TV+./ Divulgação

Nesta entrevista concedida por Todd Kessler, o diretor da série diz que por trás do nome de cada maison existem as histórias das pessoas, e a moda é expressão dessas identidades.

Todd acredita que no atual estágio das marcas essa expressão eventualmente se perde e, assim, mostrar o espírito de criação desses indivíduos é uma forma de revelar para o público um contexto maior sobre esse caminho de manifestação. “O que vestimos, o que ouvimos ou o que penduramos em nossas paredes é sempre um reflexo de uma expressão pessoal”, diz o diretor.

A série deixa claro que em tempos de guerra sem uma visão completa do que está acontecendo podemos tomar decisões que se provam incorretas quando analisadas anos depois.

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A série retrata a complexidade das vidas de pessoas reais e as situações e escolhas desafiadoras que elas foram obrigadas a tomar tentando sobreviver durante a ocupação nazista e a constatação de que não existe um caminho que garanta sobrevivência. Imagine que, naquela época, ninguém sabia quanto tempo duraria a ocupação nazista. Poderia ter durado toda a vida daquelas pessoas se a guerra tivesse acabado de uma forma diferente. As decisões eram tomadas momento a momento pensando em como sobreviver. A essência da série é sobre o talento para criar que conduziu os personagens em sua história de sobrevivência

Ben Mendelsohn, David Kammenos, Thomas Poitevin e John Malkovich em 'The New Look', já disponível no Apple TV+. Foto: Apple TV+/Divulgação

Na série, Gabrielle, Coco Chanel, se mostra uma mulher forte, decidida, alguém no poder de suas próprias decisões, e Christian Dior é retratado com grande fragilidade, quase que levado pelas situações. Essa foi a intenção?

Na França, naquela época, a história pessoal de Chanel foi o oposto da história pessoal de Christian Dior. A mãe de Chanel morreu quando ela tinha 10 anos, o pai a abandonou em um orfanato e ela foi criada nesse convento. Ela realmente não tinha nada. Dior teve uma criação muito diferente. Somos todos influenciados por nossa criação, pelos traumas de nossa infância e essas experiências ajudam a construir nosso caráter. Por isso, Chanel como uma sobrevivente é muito diferente de Dior como um sobrevivente.

Como é falar sobre o nazismo, que traz um assunto que estamos nos confrontando atualmente, como o preconceito contra os judeus?

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Acho importante dizer que nada do que vivemos no mundo de hoje já não foi vivido em outro momento histórico. Olhar para trás pode nos beneficiar - explorar os períodos, tentar entender por que estamos onde estamos nesse momento e também como podemos passar por essas experiências.

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