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A economia brasileira sofre com a volatilidade dos juros

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Por Redação
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O Comitê de Política Monetária (Copom), que hoje, na última reunião do ano, fixará a taxa básica de juro, costuma afirmar que o efeito pleno de uma nova taxa na economia só aparece depois de seis meses. Mas já se notou que sua redução tem efeito muito rápido sobre os juros efetivamente praticados.Acredita-se que o Copom poderia, agora, fixar uma taxa menor do que se previa, mantendo-a por mais tempo, para reduzir a volatilidade das taxas de mercado, o que permitiria um planejamento mais seguro da atividade empresarial. Ao mesmo tempo, deveria ter como objetivo reduzir a volatilidade da taxa cambial, excessivamente ampla no Brasil, pois vinculada à variação da taxa de juros básica, o que atrai operações de arbitragem com divisas de outros países em razão da alta remuneração das operações de trocas de moeda estimuladas pela taxa Selic.Não se pode negar que a taxa básica de juros no Brasil embute uma memória da hiperinflação, que marcou nossa história recente, e também um sistema de indexação ainda presente, por exemplo, na fixação do salário mínimo para o início de 2012.O Copom tem de levar em conta esses fatores, ainda que se possa pensar que deixou de se aproveitar da mudança do quadro econômico internacional quando, em 2008, não reduziu a taxa básica para aproximá-la das taxas vigentes em países com os mesmos problemas, preservando a possibilidade de aumentá-la, por um tempo restrito, diante de uma eventual ameaça inflacionária.O essencial é diminuir a volatilidade da taxa básica para que a formação dos preços se realize com maior segurança, e não se antecipe a uma nova alta da Selic no curto prazo, permitindo assim mais investimentos.O que orienta as empresas é, sem dúvida, a evolução do mercado futuro de juros, que varia segundo a interpretação que o mercado possa dar às decisões do Copom. Se essas decisões fossem tomadas por prazos mais dilatados, as empresas poderiam calcular melhor os seus preços e reduzir suas perdas, especialmente levando em conta que a taxa básica de juros futura influi sobre a taxa cambial e favorece a atuação dos especuladores, com consequências negativas, na medida em que estimula as importações.Se o Copom considera que deve reduzir a taxa básica de juros, seria útil que o fizesse dando ao mercado uma mensagem de que a redução foi fixada em nível baixo, mas por um período prolongado o bastante para que não se anteveja nova redução num prazo médio.

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