Repórter especial de economia em Brasília

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Vorcaro prometia contar ‘toda a história’ do Master; terá incentivos para delatar na prisão?

Banqueiro tem fortes relações com políticos em Brasília e sempre se viu como perseguido por tentar ‘brigar’ com grande bancos

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Foto do autor Alvaro Gribel
Atualização:

Banco Master: De banco mineiro que oferecia CDB de 140% a alvo da PF e do BC

Conheça a trajetória da instituição de Vorcaro, preso quando tentava fugir do Brasil, segundo a PF. Crédito: Alvaro Gribel

O anúncio da venda do Master para a holding Fictor, na noite de segunda-feira, 17, indica que o banqueiro Daniel Vorcaro sabia que a liquidação do banco e o risco de ser preso eram iminentes. A estratégia usada por ele, como mostrou o Estadão, era deixar o Banco Central em situação delicada para decretar a liquidação, já que Vorcaro poderia argumentar que tinha uma proposta sobre a mesa.

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A informação repassada pela Polícia Federal (PF) de que o Master tinha R$ 12,2 bilhões em ativos podres - ou seja, carteiras de crédito que não valiam um único centavo - tornou o anúncio inócuo. O BC não só decretou a liquidação, como a PF pediu e a Justiça autorizou a prisão de Vorcaro, que tentava escapar do País em um avião particular.

Um ponto que chamou a atenção do BC foi tomar conhecimento da operação pela imprensa, quando o trâmite normal, em casos do tipo, é uma conversa prévia com o órgão regulador que irá autorizar ou não o caso.

 Foto: Banco Master/Divulgação

A participação do BRB na história ainda será motivo de investigação. O presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo, mas seu pedido de prisão foi recusado pela Justiça. Um dos pontos em aberto é como o BRB comprou R$ 12 bilhões em créditos pobres do Master, conforme mostrou o Estadão, e ainda aceitou documentos com datas de emissão aparentemente adulteradas.

Em entrevistas ao Estadão, por duas vezes, Costa afirmou que uma equipe de diligências do BRB havia se debruçado sobre os ativos do Master, a ponto de ter garantias de que estava comprando ativos sólidos. Um deles, justamente a carteira de crédito consignado, que agora o BC indica que não tinha valor.

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No sistema financeiro, o consignado é considerado um ativo de menor risco, por ser empréstimo a pessoas com carteira assinada, e, no caso do Master, o que se sabia é que era de servidores públicos estaduais com estabilidade.

Uma das determinações do Banco Central foi exigir que o Master devolvesse os recursos ao BRB, e isso teria acontecido por meio da venda de ativos do banco e também dos seus acionistas. Os aportes feitos por Vorcaro no banco não foram apenas para pagar o vencimento dos CDBs.

O que ainda não está claro é se o Master devolveu os recursos integralmente ao BRB, a ponto de reequilibrar o balanço do banco ou se há risco de algum rombo ainda ser descoberto no banco de Brasília. De um jeito ou de outro, o Banco Central estava atento ao problema, a ponto de reprovar o negócio anunciado em março entre ambos.

Vorcaro tem fortes relações com políticos em Brasília, e, sempre se viu como um perseguido, por tentar brigar com os grande bancos. Em conversas com interlocutores, sempre afirmou que contaria “toda a história” do Master, em caso de aprovação ou recusa do negócio. Resta saber se, preso, ele poderá ter incentivos para fazer algum tipo de delação premiada.

Opinião por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.