Argentina: em novo revés para Milei, Congresso revoga vetos a fundos para universidades e pediatria

O Senado mantém leis que ampliam fundos para universidades e hospitais pediátricos, um golpe à política de austeridade do presidente em meio à volatilidade financeira que vive a Argentina

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Por Martín Rachinsky (AFP) e Sonia Avalos (AFP)
Atualização:

O inferno astral de Javier Milei: escândalo de corrupção e eleições fazem liberal intervir no câmbio

No Fala, Duquesa!, colunista reage ao anúncio do secretário de Finanças de que o BC argentino será mais ativo para controlar o câmbio. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg

O Senado argentino reverteu nesta quinta-feira, 2, dois vetos de Javier Milei e manteve as leis que ampliam fundos para universidades e hospitais pediátricos, um golpe à política de austeridade do presidente em meio à volatilidade financeira que vive o país vizinho ao Brasil.

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O revés no Congresso ocorre em uma semana particularmente difícil para Milei, que busca acalmar uma corrida no câmbio antes das eleições legislativas de 26 de outubro, nas quais precisa demonstrar que terá governabilidade.

O Senado invalidou por ampla maioria os vetos de Milei à emergência pediátrica (59 votos contra 7) e ao financiamento universitário (58 contra 7). Frente ao Congresso, onde uma centena de pessoas aguardava os votos, o estudante de psicologia Tomás Bossi se disse “orgulhoso” do resultado. “Viemos há mais de um ano em um processo de luta e de resistência contra o desfinanciamento atroz das universidades”, disse à AFP.

'No hay plata', diz Milei Foto: Timothy A. Clary/AFP

Milei conseguiu reduzir a inflação de 211% anuais em 2023 — quando assumiu — para 118% em 2024, e nos oito primeiros meses de 2025 os preços apenas subiram 20%, graças a um duro ajuste fiscal que atingiu especialmente hospitais e universidades. “No hay plata (Não tem dinheiro)”, disse o presidente para justificar seu veto aos aumentos no orçamento.

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“Milei não fala nunca de saúde nem de educação, jamais. Fala do risco-país, do risco monetário”, diz o opositor Martín Lousteau, enquanto o senador peronista Daniel Bensusán afirma que o debate “não é técnico, fiscal ou contábil: é político e moral”.

As leis que Milei tenta abortar preveem atualizar o orçamento universitário segundo a inflação desde 2023 e reajustar os salários de docentes e administrativos. Também declaram uma emergência pediátrica que implica destinar fundos para o hospital Garrahan, o principal centro pediátrico de alta complexidade do país e referência regional. “Tenho muita esperança de que algo mude”, disse, diante do Congresso, Alejandra Maldonado, de 50 anos e enfermeira neonatal do Garrahan.