Brasil pode fechar ano sem um velho fantasma no câmbio, mas nas contas públicas ainda há preocupação

Investimentos maiores dependem de gastos públicos mais contidos e mais produtivos, de perspectivas econômicas mais claras e mais seguras e de juros mais baixos

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Foto do autor Rolf Kuntz

Com as contas externas em ordem, exportações em alta apesar do tarifaço americano e reservas de US$ 350,8 bilhões em agosto, o Brasil pode fechar mais um ano sem o velho fantasma — já ausente na maior parte deste século — de uma crise cambial.

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Frequente na América Latina até começo deste milênio, esse tipo de crise se tornou muito menos presente na região, nos últimos 25 anos. Mas ainda assombra os cidadãos da Argentina, interfere em seu dia a dia e complica o trabalho do presidente Javier Milei.

Com o empréstimo de US$ 20 bilhões oferecido pelo presidente Donald Trump, Milei poderá, talvez, contornar a nova crise, mas com o custo provável, já apontado pelo americano, de maior interferência na política.

Crise cambial se tornou muito menos presente na região nos últimos 25 anos Foto: Anita /Adobe Stock

Embora crescendo menos do que outros emergentes, o Brasil tem mantido, como outros latinos, um desempenho positivo. Depois de um mau começo de ano, a economia brasileira produziu no segundo trimestre 0,4% mais que no primeiro e acumulou expansão de 3,2% nos quatro trimestres até junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Em agosto, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter-se expandido 0,4%, de acordo com o indicador publicado mensalmente pelo Banco Central, o IBC-Br, também conhecido como “prévia do PIB”. O aumento acumulado em 12 meses foi estimado em 3,2%. Segundo a avaliação do BC, a produção industrial cresceu 0,8% em agosto, a de serviços aumentou 0,2 % e a da agropecuária diminuiu 1,9%.

No mercado, a mediana das projeções tem apontado para este ano um crescimento econômico pouco superior a 2% (2,16%, segundo o boletim Focus divulgado pelo BC na última segunda-feira.

O Ministério da Fazenda tem divulgado estimativas mais próximas de 3%. Para 2026, cálculos correntes no mercado indicam uma expansão econômica mais próxima de 1,80%. As estimativas para os próximos anos dificilmente superam a taxa anual de 2%.

Expectativas modestas têm sido registradas há vários anos e são justificáveis principalmente pelas baixas taxas de investimento em capacidade produtiva, frequentemente inferiores a 18% do PIB e raramente superiores a esse nível.

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Investimentos maiores dependem de gastos públicos mais contidos e mais produtivos, de perspectivas econômicas mais claras e mais seguras e de juros mais baixos, só sustentáveis com maior segurança quanto à evolução dos preços. Condições externas podem atrapalhar, mas uma boa administração das contas públicas tende a facilitar o enfrentamento das oscilações internacionais.

Análise por Rolf Kuntz

Jornalista