Investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN educação para negócios. Nova coluna toda quarta-feira

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Peaky Blinders e negociação: o jogo invisível que define quem vence na mesa

O retorno de Cillian Murphy como Tommy Shelby não será apenas entretenimento: será mais uma aula silenciosa sobre poder, leitura de contexto e negociação em estado bruto

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Foto do autor Camila Farani
Atualização:

Você já percebeu como algumas histórias ensinam antes mesmo de terminar? Mesmo sem ter assistido ao novo filme de Peaky Blinders, eu já sei que o retorno de Cillian Murphy como Tommy Shelby não será apenas entretenimento. Será mais uma aula silenciosa sobre poder, leitura de contexto e negociação em estado bruto.

Honestamente, adotei algumas das estratégias de negociações da série, tirando absolutamente todas que envolvem crimes, claro. Fiquei obcecada e vi todas as temporadas em 2 semanas. Inclusive aplicando alguns conceitos nas aulas da FEN Educação.

Cillian Murphy retorna ao papel de Tommy Shelby no filme 'Peaky Blinders: O Homem Imortal' Foto: Netflix/Divulgação

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Ainda não vi o filme, mas para amantes que nem eu, já nos preparamos para ele. Eu aprendi que negociar não é sobre convencer, é sobre compreender profundamente o outro lado antes mesmo da conversa começar. Existe uma diferença enorme entre quem entra em uma negociação para falar e quem entra para ler.

A primeira grande lição é simples, mas rara: informação vale mais do que dinheiro. Tommy Shelby nunca entra em uma negociação sem saber algo que o outro não sabe. Ele transforma conhecimento em vantagem prática. No mundo real, isso aparece na assimetria de informação, algo que investidores experientes usam o tempo todo.

A segunda lição é ainda mais desconfortável: pressão não é erro, é instrumento. Shelby não evita tensão, ele a constrói de forma calculada. Ele muda o ambiente, altera o tempo da decisão e faz o outro lado revelar o que realmente importa. Negociar bem não é manter tudo confortável, é saber onde apertar.

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A terceira lição é sobre timing. Existe um fascínio moderno pela velocidade, mas Shelby mostra que esperar pode ser mais estratégico do que agir. Eu vejo muitos empreendedores fechando acordos por ansiedade. O problema não é perder uma oportunidade, é aceitar uma oportunidade ruim.

A quarta lição é reputação. Antes mesmo de a negociação começar, Tommy Shelby já construiu uma presença que influencia o resultado. No mercado, isso é visível. Fundadores com histórico sólido negociam melhor, empresas confiáveis reduzem fricção. Reputação encurta caminhos que o dinheiro não resolve sozinho.

Eu vejo isso acontecer o tempo todo. Eu já estive em negociações onde o resultado foi definido antes mesmo da primeira proposta, simplesmente porque uma das partes tinha mais clareza, mais contexto e mais consistência de posicionamento.

E, por fim, a quinta lição talvez seja a mais sofisticada: saber exatamente o que não negociar. O inegociável. Limites claros não afastam oportunidades, eles qualificam decisões. Tommy Shelby não tenta ganhar tudo, ele protege o que considera essencial. No mundo dos negócios, essa clareza separa quem cresce de quem apenas se movimenta.

Antes mesmo de assistir ao filme já estou ansiosamente esperando a pipoca e guaraná para mais uma gama de lições e entretenimento.

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Opinião por Camila Farani

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