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Direito do consumidor

Opinião|Serviços não devem estourar seu orçamento

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Atualização:

É bem estranho escrever sobre defesa dos direitos do consumidor em pleno carnaval, quando milhões de brasileiros estão assistindo as escolas de samba, desfilando ou vendo os blocos passarem, enfim, se divertindo. Então, me dirijo a quem não caiu na folia, porque aproveita estes dias para descansar. E relembro que a inflação dos alimentos voltou a incomodar e a preocupar em janeiro. Portanto, mesmo em meio aos dias de folga, compare os preços antes de comprar.

 

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Mas o que preocupa mesmo os economistas são os preços dos serviços. O que significa isso? Tudo aquilo que é prestado, feito por alguma pessoa ou empresa. Um corte de cabelo, o conserto de um aparelho doméstico, a pintura do apartamento ou o reparo do carro são exemplos de serviços.

E, convenhamos, é bem mais difícil comparar os preços de serviços do que de produtos. Mas é necessário. Ou, no mínimo, se informar sobre os valores médios cobrados pelo mercado, e utilizá-los como parâmetro. Ou seja, não contratar serviços acima de um determinado patamar.

Temos muita atenção, sempre, ao custo da cesta básica, da carne para o churrasco, da cerveja neste calorão. Mas muitas vezes pagamos simplesmente o que nos cobram por algum serviço, porque é mais difícil negociar diretamente com profissionais.

Mas há muitos serviços que custam bem mais do que uma compra mensal de supermercado. Tudo que for ligado a veículos, por exemplo, geralmente é caro. No lar, também. E, ao contrário de determinados artigos de consumo, é muito complicado postergar o conserto de um torneira que esteja pingando, ou do motor de um automóvel.

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Inflação é uma ameaça constante. Quando parece totalmente vencida, dá algum sinal de vida. Não há vitória sobre a inflação sem a participação das famílias, embora eu não esteja propondo uma reedição dos fiscais do Plano Cruzado. Somente enfatizo que contratar sem comparar preços é um grande risco ao orçamento, que coletivamente afeta toda a economia.

Faça a sua parte. Não aceite orçamentos com reajustes que você não teve no salário ou nos contratos com clientes. Tenho certeza de que alguns prestadores de serviços cobram menos do que outros, e têm idêntica qualidade. Bom descanso!

 

 

Opinião por Cláudio Considera

É ex-presidente do conselho da Proteste Associação de Consumidores e professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi titular da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), chefe de Contas Nacionais do IBGE e diretor de Pesquisa do Ipea.

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