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Bastidores do mundo dos negócios

B3 vai colocar ‘pé na rua’ para crescer em recebível e duplicata

Empresa quer ganhar mercado na área de registro de títulos

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Por Matheus Piovesana
B3 quer atrair empresas de maquininhas para registrar recebíveis de cartões Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

A B3 deve colocar o pé na rua em 2024 para ganhar terreno nas atividades de registro de recebíveis de cartão e também de duplicatas. A empresa, que é também a operadora da Bolsa brasileira, quer buscar novos clientes para os dois produtos, em que disputa mercado com registradoras “puras”, como a Nuclea (antiga CIP) e a Cerc.

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No registro de recebíveis de cartão, a ideia é atrair empresas de maquininhas, ou credenciadoras no jargão do mercado. A B3 previa que até o final de 2023, duas deveriam entrar para a base, segundo o superintendente de produtos da empresa, Fernando Bianchini. A B3 já tem cerca de 30 financiadores como clientes, principalmente fintechs que buscam a “vitrine” formada pelo registro para antecipar recebíveis. Trazer as maquininhas é completar o quebra-cabeça.

O balcão de recebíveis de cartão permite que todo o mercado veja os títulos gerados em pagamentos com cartões no País. O Banco Central o criou para gerar maior competição na antecipação de recebíveis e reduzir taxas para os lojistas. Nessa galeria, as centrais são a vitrine: as maquininhas se ligam a uma registradora e, através dela, tornam os títulos visíveis a todo o mercado.

Tarifas para consultas ainda provocam debate

No entanto, dois anos após a entrada em operação, ainda há no mercado debates sobre as tarifas cobradas para consultar informações em outra registradora e, por isso, os agentes têm preferido operar sem sair da central em que estão. Ou seja, quem registra recebíveis em uma central prefere buscar agendas ali dentro, sem usar a chamada interoperabilidade.

No balcão de duplicatas, que ainda não é obrigatório, Bianchini afirma que a B3 tem a vantagem de operar com a versão mercantil, em que detém 30% de mercado no registro. A duplicata escritural é a versão eletrônica da mercantil, e seu registro será obrigatório para todas as empresas. As grandes empresas terão de registrar os títulos 180 dias após a última implementação de interoperabilidade pelas registradoras.

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A duplicata é um documento que as empresas emitem ao fazer uma venda a prazo, e serve como um comprovante de que o vendedor tem direito a receber aqueles valores. Esses títulos movimentam cerca de R$ 10 trilhões no País ao ano, e podem ser usados como garantia em operações de crédito, mas a falta de um registro centralizado abre margem para fraudes, o que inibe esse uso. O BC criou o registro para driblar o problema.

O sistema fará com que as empresas tenham de buscar uma registradora. A B3 quer estar lá. Segundo Bianchini, deve buscar parcerias com agentes como bancos para chegar às pequenas e médias empresas, um público mais pulverizado que o das grandes, que em muitos casos já conhecem a companhia.


Este texto foi publicado no Broadcast no dia 03/01/24, às 14h04

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