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Bastidores do mundo dos negócios

Em ano de seca de dinheiro, fundos socorrem até empresas grandes

Gestores de ativos em situações especiais estão virando saída até para private equity

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Por Cynthia Decloedt
A recuperação judicial da Americanas piorou disponibilidade do crédito. FOTO TABA BENEDICTO / ESTADAO Foto: TABA BENEDICTO / ESTADAO CONTEUDO

A combinação de juros altos com o estrago causado pelos pedidos de recuperação judicial de Americanas e, mais recentemente da Light, secou quase que totalmente o mercado de crédito neste ano. Nesse cenário, aumentaram as oportunidades de negócios dos gestores que compram e vendem ativos em situações especiais, que contêm algum risco de não serem honrados. Isso porque, do outro lado, crescem o número de empresas espremidas por uma geração de caixa insuficiente para fazer frente a dívidas que ficaram mais caras.

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O impacto dessa situação tem feito, inclusive, com que fundos que compram participação em empresas, conhecidos por private equity, recorram ao socorro dos gestores de situações especiais. Segundo Renato Abissamra, sócio da Spectra Investimentos, fundos de private equity têm usado essa alternativa, ao serem pressionados a devolver a cotistas recursos de ativos que estão maduros

Sem conseguir vender as fatias que têm nas companhias, por conta da desaceleração do mercado de capitais, eles as vendem aos gestores de situações especiais. “Compramos com desconto que pode parecer alto, mas oferecemos ao investidor a oportunidade de liberar recursos para fazer outro investimento”, diz.

Demanda cresceu para mais segmentos

A Latache, que oferece soluções de crédito para empresas em dificuldades, viu a demanda por seus serviços aumentar - principalmente por companhias de porte e de rating elevado que até então não a procuravam. “A empresa é um ser vivo que sempre precisa de crédito e tem de ser criativa”, diz Renato Azevedo, sócio da Latache.

O sócio de uma terceira gestora que preferiu conversar sob a condição de anonimato afirmou que grande parte dos contatos que recebe é de empresas que estão muito próximas de quebrarem cláusulas de contratos de suas dívidas. Essas cláusulas, normalmente, impõem limites de endividamento, que subiram para várias companhias pela alta do juro de 2% para perto de 14% em apenas 1,5 ano.

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De acordo com ele, as soluções mais utilizadas nesse momento são a venda de imóveis próprios e posterior aluguel dos mesmos (operação conhecida como sale-leaseback) e crédito ao acionista controlador, com garantia em ações da companhia e previsão de evento de liquidez adiante - uma oferta em bolsa ou venda a algum estratégico.

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