Consumo e preços avançam e eleição complica o quadro para a economia

Também falta estimar os efeitos econômicos dos problemas climáticos esperados para este semestre. Nesta altura, também o El Niño pode complicar o ajuste dos gastos públicos

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Consumo em alta, desemprego em baixa e inflação contida, embora longe da meta, reforçaram o balanço do primeiro semestre, prejudicado, no entanto, por juros elevados e amplo endividamento das famílias. O volume de vendas no varejo cresceu 0,5% em junho, 1,9% no ano e 1,6% em 12 meses, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com a expansão da atividade, a desocupação ficou em 5,4% no segundo trimestre, 0,7 ponto abaixo do nível de janeiro a março. Um ano antes a taxa estava em 5,8%. O rendimento médio real obtido com todos os trabalhos correspondeu a R$ 3,738 e superou o de igual período de 2025 (R$ 3,635).

Apesar de algum recuo, a inflação continuou erodindo o orçamento familiar e neutralizando, em parte, os benefícios da elevação do emprego. Os preços ao consumidor subiram 0,16% em junho e 3,36% no primeiro semestre. Em julho, a inflação men

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Amplo endividamento das famílias é um dos desafios para as políticas econômica e monetária Foto: Adobe Stock

sal ficou em 0,07%, a do ano bateu em 3,44% e a acumulada em 12 meses, 4,44%, ainda foi muito próxima do teto da meta, 4,5%.

Diante deste quadro de preços, o Banco Central (BC) deverá avançará com muita cautela na redução dos juros básicos, atualmente fixados em 14% e incompatíveis com uma aceleração sensível do crescimento econômico. Segundo estimativa obtida no setor financeiro, a taxa deverá estar em 13,75% no final do ano.

O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 1,1% no primeiro trimestre, de acordo com o IBGE. O balanço do período de abril a junho deverá sair no começo de setembro. O Ministério da Fazenda estima para 2026 uma expansão de 2,3%. No mercado financeiro, a mediana das projeções ficou em 1,98% na semana encerrada em 10 de agosto. Na semana anterior a estimativa ainda apontava 1,99%, com recuo provável para 1,52% em 2027.

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A inflação deste ano deverá ficar em torno de 5%, segundo se calcula no setor financeiro. Com recuo moderado, a taxa final do próximo ainda será superior a 4%, de acordo com o mesmo conjunto de cálculos. Não se esperam medidas oficiais de ajuste nos próximos meses, quando governo e oposição deverão concentrar-se na caça aos votos.

Talvez algum ajuste das contas governamentais, com provável efeito na evolução dos preços, ocorra no início do novo mandato presidencial. Mas até lá o desafio poderá tornar-se mais complicado, mesmo com algum aperto, ainda incerto, no projeto do próximo orçamento. Também falta estimar os efeitos econômicos dos problemas climáticos esperados para este semestre. Nesta altura, também o El Niño pode complicar o ajuste dos gastos públicos.

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Jornalista