Trump assina decreto que oficializa tarifas de 50% ao Brasil. E agora?
Crédito: Larissa Burchard/Estadão
BRASÍLIA - O café deverá ser a próxima “boa notícia” do tarifaço dos Estados Unidos, na avaliação de negociadores, exportadores e importadores consultados pelo Estadão/Broadcast. O grão ficou de fora da lista de exceções publicada nesta quinta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, à alíquota de 50% (uma nova sobretaxa de 40% que se soma à de 10% já anunciada em abril).
Assessores de Trump na Casa Branca sinalizaram a empresários americanos que o anúncio sobre a retirada do café das sobretaxas adicionais deve ser feito nesta sexta-feira, 1º de agosto, apurou a reportagem.

O otimismo vem sendo crescente desde que o secretário do Comércio americano, Howard Lutnick, reconheceu, nesta semana, que os EUA podem reconsiderar e isentar bens que não são cultivados no país, como café, cacau, abacaxi e manga.
Havia a percepção de que esse produto poderia já ter sido contemplado ontem na lista; mas, depois do balde de água fria, um novo cenário passou a ser desenhado. A surpresa com o fato de o café ter ficado fora da lista alcançou até mesmo diferentes níveis do governo americano e os processadores locais.
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A medida, portanto, não seria direcionada ao Brasil, mas estaria dentro de uma cesta de itens de difícil produção nos EUA e que valeria para outros mercados exportadores. A decisão deve vir por meio de uma publicação voltada a recursos naturais não disponíveis no país. A estratégia foi repassada por secretários do governo americano e assessores da Casa Branca a empresários locais.
O café é tido como um dos produtos mais sensíveis para a economia norte-americana. O país é o principal consumidor da bebida, com 25,5 milhões de sacas e 76% dos americanos consumindo café. O Brasil, por sua vez, é o principal fornecedor do grão aos Estados Unidos, respondendo por 33% de tudo que é consumido pelo país, o equivalente a 8,1 milhões de sacas por ano.
A pressão para retirada do café da lista de sobretaxas é reforçada pela própria indústria americana. Lá, a National Coffee Association (NCA) conduz as tratativas com o governo local. A NCA pediu formalmente à Casa Branca na semana passada para o café ser excluído das tarifas, independentemente da origem. Segundo interlocutores, as conversas seguem após os anúncios de ontem da Casa Branca envolvendo o Brasil.
Estima-se que a indústria do café gera 2,2 milhões de empregos e US$ 343 bilhões na economia americana. Entre os apelos levados pelos exportadores e importadores está o potencial impacto da tarifa no encarecimento do café da manhã americano e, consequentemente, na inflação doméstica.
Nesta quinta, após a publicação do decreto de Trump, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse em nota que “seguirá em tratativas” com seus pares nos EUA para que o produto integre a lista de exceções elaborada pelo governo norte-americano.
Os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, absorvendo 16% de todo grão que é embarcado pelo País, somando US$ 2,075 bilhões no ano passado, segundo dados do Agrostat - sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro, gerido pelo governo federal.
Se o tarifaço, for mantido para o café, o setor já se prepara para ampliar exportações para outras regiões, como Europa e Ásia.






