Documentos falsos e fraude de R$ 12,2 bilhões: o que BC e PF descobriram sobre Master e BRB

Investigação detectou que banco público do Distrito Federal injetou dinheiro na instituição de Vorcaro mesmo após Banco Central rejeitar negócio

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Banco Master: De banco mineiro que oferecia CDB de 140% a alvo da PF e do BC

Conheça a trajetória da instituição de Vorcaro, preso quando tentava fugir do Brasil, segundo a PF. Crédito: Alvaro Gribel

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

A Polícia Federal e o Ministério Público investigam o banco Master por vender R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, com documentos falsos ao Banco Central. A operação Compliance Zero prendeu Daniel Vorcaro e afastou Paulo Henrique Costa do BRB. O Banco Central liquidou o Master após rejeitar sua compra pelo BRB. As transferências suspeitas ocorreram entre janeiro e maio, com indícios de gestão fraudulenta e conluio entre os bancos, levando à prisão preventiva de Vorcaro.

BRASÍLIA - A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre a gestão do banco Master detectou indícios de que a instituição comandada por Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.

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Esse montante teria sido transferido do BRB ao Master entre janeiro e maio deste ano, e foi motivo de uma ordem judicial que permitiu o bloqueio de bens nesse valor. Em um período mais amplo, o BRB transferiu R$ 16,7 bi ao banco privado.

“Verifica-se que as transferências vem sendo realizadas desde 2024, mesmo diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central, com como reiterados pedidos de informações e de monitoramentos dirigidos à instituição. Nesta hipótese, há indícios veementes da prática de crime de gestão fraudulenta dos gestores do BRB em conluio com diretores do banco Master”, diz a decisão judicial.

Foram essas informações que resultaram na operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira, 18, pela PF e que prendeu Vorcaro e afastou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Também nesta terça, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.

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Esses fatos foram comunicados aos órgãos de investigação pelo próprio BC, depois que a compra do Master pelo BRB foi rejeitada. Procurado, o Banco Master não se manifestou até o momento.

Sede do Banco Master em São Paulo Foto: Werther Santana/Estadão

Ao descobrir o rombo no balanço do Master, o Banco Central determinou que o BRB desfizesse a operação, para recompor a sua liquidez e reorganizar o seu balanço. Essa foi uma das exigências feitas pelo BC durante a análise da operação da proposta do BRB ao Master.

Segundo a investigação, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no entre janeiro a maio, ou seja, antes da formalização e depois do pedido de compra do Master pelo BRB, o que aconteceu no final de março.

De acordo com a decisão judicial contra o banco, é consistente e razoável considerar a hipótese de que o BRB tinha interesse em emprestar recursos ao Banco Master, mas foi impedido por limites de exposição, e que “a troca de créditos entre BRB e Master ocorreu por pura camaradagem”, à margem das formalidades contratuais, numa tentativa de minimizar ou contornar a fiscalização sobre as operações.

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Agentes da Polícia Federal realizam a operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira, 18 Foto: Divulgação/Policia Federal

Quando o Banco Central analisou o negócio, constatou indícios de que essas carteiras de crédito eram falsas, ou seja, simplesmente não existiam. Segundo as investigações, foram produzidos documentos com data de 2024 para tentar justificar o negócio, mas a assinatura eletrônica era de abril e maio de 2025, período no qual o BC pediu informações sobre as transferências de recursos do BRB para o Master.

“A hipótese investigativa levantada é a de que a solução do Grupo Master para aportar recursos muito superiores à sua produção histórica, e que fossem capazes de cobrir o rombo de 12 bilhões, consistiu em se associar, ilicitamente, a uma Sociedade de Crédito Direto, com o objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB”, diz a decisão judicial que autorizou a operação.

Nesses documentos falsos, foram usadas informações de duas associações ligadas a Augusto Lima, também sócio de Vorcaro no banco Master. O objetivo seria simular a existência de carteiras de crédito consignado bilionárias.

Depois que o Banco Central rejeitou o negócio de compra do Master pelo BRB, os investigadores detectaram que o banco público do Distrito Federal continuou transferindo recursos para a instituição de Daniel Vorcaro.

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Por isso, eles entenderam que os crimes continuavam em andamento e justificavam a prisão preventiva de Vorcaro e outros diretores do Master.