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Jornalista e colunista do Broadcast

Opinião|Biden tem um problema: a confiança dos consumidores

Se indicador não se recuperar, o atual presidente terá problemas para se reeleger nos EUA

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Nem os receios sobre a idade nem as críticas – da ala mais liberal do partido e dos eleitores mais jovens – em relação à sua postura em apoio à ofensiva militar de Israel no conflito em Gaza. O que mais poderá prejudicar a campanha de Joe Biden na disputa da eleição presidencial em novembro é a profunda insatisfação do consumidor americano, apesar de indicadores mostrarem que a economia dos Estados Unidos está mais sólida do que a de outras partes do mundo, como a Europa.

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O índice de sentimento do consumidor, medido pela Universidade de Michigan, registrou na leitura preliminar de maio o menor nível em seis meses. Apesar de ser considerado um dado volátil, a queda do índice entre os meses de abril e maio – de 77,2 para 67,4 – foi grande o suficiente para injetar nervosismo nos analistas. Pior: o recuo foi generalizado em todos os grupos etários, de escolaridade, de renda e até de filiação partidária entre os consumidores pesquisados.

O levantamento mostrou um aumento na expectativa de inflação em um ano dos consumidores: de 3,2%, em abril, para 3,5% em maio, enquanto a meta perseguida pelo banco central americano é de 2%. O custo de vida é a principal fonte de preocupação dos americanos. E de nada adianta o governo Biden repetir como um mantra que a inflação ao consumidor cedeu de uma taxa anual de 9,1%, em junho de 2022, o pico em 40 anos, para 3,5% em março passado.

A percepção dos consumidores é de que parcela cada vez maior de sua renda está sendo destinada para gastos com alimentação, combustíveis e aluguéis. Os preços de vários desses itens básicos desaceleraram do pico ou apenas pararam de subir, mas permaneceram em níveis tão elevados que o bolso dos americanos quase não sentiu diferença.

Dados indicam que economia americana vai bem, mas consumidores não confiam e podem votar contra Biden na eleição Foto: Alex Brandon / AP

Sem falar que os juros ainda permanecem no maior patamar desde a década de 1980, numa faixa entre 5,25% e 5,50%. Com a falta de progresso na desinflação nos últimos três meses, os investidores postergaram suas apostas para um primeiro corte da taxa básica para setembro. Ou seja, mesmo que o desemprego nos EUA esteja próximo dos níveis mais baixos historicamente, em 3,9%, e os ganhos salariais sigam robustos, Biden não consegue convencer os eleitores de que a economia melhorou durante a sua gestão.

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Nas últimas pesquisas de intenção de voto, Biden estava ligeiramente atrás do republicano Donald Trump na média nacional. A desvantagem era maior em Estados considerados decisivos. Se o índice do sentimento dos consumidores não voltar a se recuperar, suas chances de reeleição vão ficar distantes.

Opinião por Fábio Alves

Colunista do Broadcast

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